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Vespa tenta recomeçar com scooter mais barato: R$ 18.500

Com 70 anos de história, a Vespa é uma das marcas mais icônicas do motociclismo mundial, mas com uma trajetória repleta de idas e vindas no Brasil. O mais recente capítulo foi escrito no ano passado, quando a Piaggio trouxe de volta a marca ao País apostando em um conceito de lojas ‘gourmet’ e com preços acima da realidade do mercado nacional. As metas de venda eram ousadas, prevendo comercializar 2 mil unidades em 2016, 12 mil em 2017 e 35 mil em 2018, porém, a realidade foi outra. Sem aceitação no mercado, a marca emplacou apenas 29 motos em dois anos, 2016 e 2017, segundo a Fenabrave. Diante do fracasso, uma nova estratégia.

A Vespa voltou ao Brasil com a ambição de vender 14 mil motos em dois anos, mas emplacou apenas 29 unidades no período. Agora, com nova estratégia, direção traz modelos mais em conta, por R$ 17.500 e R$ 18.500

A Vespa voltou ao Brasil com a ambição de vender 14 mil motos em dois anos, mas emplacou apenas 29 unidades no período. Agora, com nova estratégia, direção traz modelos mais em conta, por R$ 17.500 e R$ 18.500

O ‘novo tempo’ da Vespa no Brasil tem nome, sobrenome e preço: Vespa Classic VXL 150, R$ 18.500,00 (mais barato que o produto de entrada de antes, que custava R$ 22.890,00, mas ainda mais caro de concorrentes de Honda, Yamaha, Dafra, Kymco e outras fabricantes de scooters). A marca lançou o modelo no Salão Duas Rodas e acredita que o modelo será seu carro chefe, conduzindo a marca um ‘novo momento’ no País. Além disso, a nova estratégia também prevê um novo modelo de lojas e não fala em metas de vendas anuais, tampouco na criação de uma fábrica no Brasil, objetivo que estava nos planos em outubro de 2016.

Mais barato que a Primavera, mas com preço ainda acima dos concorrentes, Vespa Classic foi lançado com a missão de levantar marca italiana no Brasil

Mais barato que a Primavera, mas com preço ainda acima dos concorrentes, Vespa Classic foi lançado com a missão de levantar marca italiana no Brasil

Para lembrar, no ano passado a Vespa trouxe três modelos ao Brasil (Primavera, Sprint e GTS 300), com preços variando de R$ 22.890,00 a R$ 32.930,00. As lojas seguiam um conceito de boutique, em sua maioria “dispostas em shopping centers ou mesmo em ruas de moda, acreditando que o cliente que quer comprar uma Vespa precisa ser atendido como alguém que vai escolher uma roupa” (como dissemos na época). Nestes moldes, jogando suas fichas no peso da renomada marca Vespa, a empresa tinha metas ousadas de venda que, inclusive, justificariam a criação de uma fábrica em solo verde e amarelo com o objetivo de saciar a crescente procura pelos scooters até então importados da Itália. Mas as coisas não foram bem assim.

Depois de emplacar 29 motos em dois anos, Vespa projeta uma nova fase no Brasil

Marca está expondo seu novo lineup no Salão Duas Rodas

Marca está expondo seu novo lineup no Salão Duas Rodas

Aconteceu que a estratégia não engrenou. Os números de venda nunca foram atingidos, as lojas não se disseminaram pelos shoppings e ver uma Primavera na rua era tão (ou mais) raro quanto um apreciar uma LaFerrari cruzar uma avenida. A expectativa de crescimento virou retração e hoje a marca se viu diante de um novo início. Para isso, foi inaugurada uma nova loja ‘número um’ (em outro formato) e lançado um novo modelo, mais barato, o já citado Classic.

Contudo, a direção da marca não vê este movimento exatamente como um recomeço, muito menos fala em fracasso na antiga estratégia, mas admite que sofreu um impacto do mercado brasileiro e fale em nova fase. “Quem dirige a Vespa é o mercado. Seus movimentos e demandas é que nos dizem para onde ir”, garantiu o presidente da Vespa no Brasil, Giuseppe De Paola. Em entrevista, o dirigente explicou que “ocorreram duas fases. A primeira com foco na marca Vespa, queríamos dizer ‘olhem, a marca voltou e está forte’ e a segunda, que vivemos agora, tem foco no produto, nas motos. Por isso, lançamos um novo modelo, com preço mais baixo, para que mais pessoas tenham acesso a um produto italiano legítimo, de altíssima qualidade”.

Urban Sport

Urban Sport

Scooter de três rodas cobra pela exclusividade: R$ 47.900

GTS 300 Super

GTS 300 Super

Mais potente e refinada, GTS chega por R$ 41.900

Primavera 125

Primavera 125

Modelo era o mais barato da marca no ano passado. Curiosamente, o preço subiu para R$ 23.900

Liberty S 150

Liberty S 150

Apesar de custar R$ 17.500, scooter não tem a missão de ser o mais vendido da Vespa

Classic VXL 150

Classic VXL 150

Com foco no produto, Vespa oferece scooter por R$ 18.500

Por falar em modelos, além da Classic (R$ 18.500,00), a Vespa está vendendo a Liberty S 150 (R$ 17.500), Primavera 125 (R$ 23.900), GTS 300 Super (R$ 41.900) e a Urban Sport (R$ 47.900), característico modelo de três rodas. As motos podem ser encontradas na única loja da marca no Brasil, inaugurada neste mês na avenida Hélio Pellegrino, 785, São Paulo. Segundo Giuseppe, novas lojas devem ser abertas em São Paulo em breve. Outros mercados, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador, também estão nos planos de expansão da marca e podem vir a receber lojas “conforme for crescendo a demanda no mercado”.

Apesar de ser a mais 'barata' do lineup Vespa, Liberty S 150 não ocupa o cargo de potencial carro-chefe

Apesar de ser a mais ‘barata’ do lineup Vespa, Liberty S 150 não ocupa o cargo de potencial carro-chefe

As lojas, por sua vez, deixam o conceito ’boutique de shopping’ e passam a ocupar espaços maiores “perto dos 400 metros quadrados”. Além de showroom e de oferecer linhas de roupas e acessórios fashion, as concessionárias também terão espaço dedicado ao pós-venda e oficina mecânica. “Teremos motos a pronta entrega e mais produtos. A Vespa é estilo, nunca pode deixar de ser fashion”, completou o diretor.

Apesar do otimismo em seu novo formato, a marca parece ter os pés no chão. Fala-se na expectativa de cada loja vender algo na casa de 40 a 70 motos por mês e no número de concessionárias ir crescendo gradualmente ao longo de 2018, mas não são divulgadas metas finais de vendas por ano. Para Giuseppe, este é um índice muito relativo, afinal “vender 2 mil motos, por exemplo, pode ser um bom número. Mas para isso vamos precisar de uma boa rede de lojas. Mas, como já disse, quem vai determinar nossos movimentos será o mercado”. Nesta filosofia de dar um passo de cada vez, a possibilidade de criar uma fábrica no Brasil está sem previsão de ser retomada.

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Jornalista gaúcho convicto de que um passeio de moto em um dia de sol é a cura para praticamente todos os males da vida. Fã de motoaventurismo, competições de moto, café, praia e de rock n roll.