Foto: Amazonas 250

Surpresas no Motoboy Festival

Foto: Amazonas 250

Foto: Amazonas 250

Foi realizado em SÆo Paulo, entre os dias 25 e 28 de janeiro, a segunda edi‡Æo do Motoboy Festival; apesar de pouco visitado, tive a chance de presenciar a volta da Amazonas, mas nÆo a grandona com motos de Fusca e sim pequenas e interessantes motos importadas da China, al‚m de outras novidades.

A convite do meu grande e antigo (‚ melhor nÆo dimensionar quanto) amigo Ca¡to Alcƒntara Machado e do seu irmÆo Luiz participei do II Motoboy Festival em pleno feriadÆo prolongado, porque dia 25, quinta-feira, era anivers rio da cidade de SÆo Paulo. Como j  disse v rias vezes, paulistano ‚ que nem barata: se faz calor corre pra fora de casa! Essa coincidˆncia de datas prejudicou um pouco a freqˆncia do p£blico, que foi menor do que em 2006, mas eu sei da perseveran‡a e hist¢ria do Ca¡to a ponto de ter a mais absoluta certeza de que em 2008 o Festival ser  novamente realizado.

A primeira surpresa veio na ausˆncia de algumas empresas. Durante o jantar de premia‡Æo da Abraciclo (eu ganhei um prˆmio, t !) conversei com o representante de uma grande marca de capacetes. Ele justificou a ausˆncia com a afirma‡Æo de que “a empresa nÆo queria associar a sua marca aos motoboys”. Nunca vi uma cegueira de marketing tÆo grande! Ali s, j  vi! Nos anos 80 – portanto no s‚culo passado – alguns editores americanos tentaram lan‡ar revistas destinadas ao p£blico gay. Foi uma batalha e mais de 10 anos para convencer o mercado publicit rio a anunciar nestes ve¡culos. Era a mesma justificativa burra e cega: “nÆo queremos associar nossa imagem ao p£blico gay”.

Foto: Ih, olha eu autografando o livro!

Foto: Ih, olha eu autografando o livro!

A batalha foi vencida com muito trabalho e as revistas nÆo apenas sobreviveram, como cresceram e o faturamento de algumas delas j  supera o das revistas destinadas ao p£blico “geral”. Empresas como Citybank, Ford, IBM e centenas de agˆncias de turismo perceberam rapidamente que o p£blico gay consome tanto quanto o hetero e ter um an£ncio de Jaguar, Land Rover ou investimentos financeiros em uma revista destinada ao p£blico GLTB (essa sigla est  cada vez maior e complexa) nÆo prejudica a imagem da empresa. Pelo contr rio, hoje tornou-se uma ferramenta de marketing mostrar-se uma empresa “politicamente correta”.

Agora com os motoboys eu vejo a mesma cegueira e burrice marquetista por parte de empresas que estÆo loucas para vender seus produtos aos 250 mil motoboys de SÆo Paulo, mas sem que ningu‚m saiba! Louv vel a atitude da gigante Alpargatas, que lan‡ou no Motoboy Festival uma galocha semelhante …s que eu tinha de buscar na It lia. Uma nova marca de capacete e pe‡as de pl stico Mixs estava l , com uma linha de capacetes acess¡veis e voltados a este mercado e nÆo vejo nenhum motivo de “vergonha” para a marca, pelo contr rio, a Mixs ficar  – literalmente – na cabe‡a de quem passou por l  como a éNICA marca de capacete a valorizar o motoboy.

Outra boa surpresa: conheci o Jos‚ Fernandes, fabricante das antenas anti-pipa Jojafer. Extremamente simples, contou que come‡ou a produzir essas antenas porque queria fazer alguma coisa em nome da seguran‡a dos motociclistas, depois de ver – e me mostrar, argh – algumas fotos de motoboys degolados pelas linhas com cerol. Pelas margens de lucro que ele pratica, acredito realmente na sua boa inten‡Æo e nÆo est  apenas de olho na oportunidade de neg¢cio. Fiz questÆo de comprar uma e j  instalei porque ao redor do Centro de Exposi‡äes Imigrantes est  cheio de pipas soltas no ar.

Por‚m a maior surpresa foi encontrar outro velho amigo, o Jairo Mattos, que me apresentou a Amazonas. Mesmo nome daquela Amazonas Motos Especiais que usava motor de Fusca e at‚ hoje tem uma legiÆo de fÆs por todo mundo. S¢ que desta vez a Amazonas quer entrar no mercado com produtos importados da China. E pelos modelos expostos a promessa ‚ quente. O modelo mais interessante ‚ uma custom 250 com motor baseado na Suzuki Intruder 250, mas com visual que lembra a extinta BMW C1200. A moto ‚ bem acabada, leve e cheia de acess¢rios. Por ter motor monocil¡ndrico, vai chegar a um pre‡o menor que suas concorrentes Kasinski Mirage e Sundown V-Blade.

Falando em Sundown, essa marca sim, pelo segundo ano montou o maior estande e exp“s as “desaparecidas” STX 200 e a SM 200. Pelo que vi pessoalmente, a versÆo supermotard est  um pouco mais baixa e pode agradar o p£blico feminino. J  a STX 200 continua muito alta para uma 200. A mancada da Sundown foi nÆo mostrar a Hunter 90, talvez j  ciente da nova legisla‡Æo que nÆo permitir  o uso de motos abaixo de 125 para fins de frete. Provavelmente foi isso tamb‚m que explica a ausˆncia da Pop 100 no estande do Cons¢rcio Nacional Honda.

A Miza al‚m de patrocinar os concursos das garotas e garotos Motoboys e da gincana, apresentou seus modelos tamb‚m chineses, de bom acabamento. A 125 ‚ igualzinha … minha saudosa ML 125 de 1978! Agora ficou f cil restaurar uma ML antiga, basta comprar as pe‡as da Miza. Isso nÆo ‚ um dem‚rito, mas uma curiosidade, afinal ‚ uma moto feita a partir de uma Honda dos anos 70. J  a motoneta ‚ mais moderna e pode agradar as namoradas dos motoboys.

NÆo estranhei a ausˆncia da Yamaha, Suzuki ou Kasinski, al‚m de outras marcas sino-brasileiras, porque em 2007 teremos tamb‚m o SalÆo Duas Rodas e talvez tenham preferido dar prioridade ao salÆo maior. Mas tamb‚m vejo como um erro estrat‚gico, principalmente de Yamaha e Suzuki. Na briga pelo mercado de baixa cilindrada est  valendo qualquer esfor‡o. A YBR 125 ‚ uma moto econ“mica, as Suzuki Yes e Intruder 125 j  aparecem at‚ na frota dos Correios, portanto sÆo marcas que nÆo podem ficar de fora desse segmento, enquanto a concorrente Sundown vai crescendo sozinha.

E engana-se quem acha que o motoboy consome apenas as pequenas 125 utilit rias. Um olhar atento ao estacionamento do evento p“de detectar v rias CB 500, CBR 450, Yamaha XT 600, DT 200, muitas Twister e Fazer. Em conversa com o Moacir, diretor da Abraciclo, comentamos que hoje os motoboys tˆm duas motos: uma para trabalho e uma para lazer. Certamente tamb‚m tˆm capacetes, casacos e roupas para o batente e para os finais de semana.  isso que os cegos de marketing precisam perceber: que os motoboys sÆo, antes de tudo, motociclistas que consomem, viajam, comem (e alimentam seus filhos), tˆm conta em banco, financiam, passeiam com as namoradas, consertam suas motos, compram e consomem. E quando analisamos os dados levantados nas pesquisas, se ‚ verdade que existem 250 mil motoboys em SP, com renda m‚dia de R$ 600,00, estamos falando de um bolo de R$ 150 milhäes por mˆs para ser dividido. E tem gente que nÆo quer nenhuma fatia!