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De Sorocaba (SP) até à Serra do Rio do Rastro

Motociclista há muitos anos, sempre desejei realizar uma viagem com distância superior a 300 quilômetros, que até então o meu recorde, no entanto faltava coragem e uma máquina que permitisse realizar esse sonho com algum conforto,principalmente para minha esposa.

Tempo enigmático na saída de Sorocaba

Tempo enigmático na saída de Sorocaba

Após muito sacrifício, conseguimos adquirir uma Suzuki DL650 V-Strom e com ela o sonho começou a tomar forma. Primeiro, junto com um grupo do Midnight Riders, realizamos no final de outubro DE 2012, um passeio de Sorocaba (SP) até Curitiba (PR), através da famosa SP-250/PR-476, chamada de “Rastro da Serpente”, passando por Apiaí, Ribeira e Adrianópolis.

A ida desse passeio levou mais de dez horas em razão das paradas para almoço, descanso e encontro com os anfitriões em Colombo (PR). Uma viagem memorável! Essa experiência foi suficiente para que no feriado da República, encarássemos as rodovias com destino a Serra do Rio do Rastro, localizada na cidade de Lauro Muller em Santa Catarina.

Em razão de obras no Km 43 da BR-116 no Paraná, mais de trinta quilômetros de  trânsito parado

Em razão de obras no Km 43 da BR-116 no Paraná, mais de trinta quilômetros de trânsito parado

Partimos de Sorocaba (SP) às 05h45 do dia 15/11/2012, com um tempo enigmático e garoa, mas ao fundo, o sol brilhava no horizonte, assim permanecendo até nossa parada no posto Buenos Aires após a cidade de Registro (SP). Ali, com o clima quente que imperava, retiramos a jaqueta de nylon que utilizávamos sobre a de cordura e fomos em frente com rodovia movimentada, no entanto, tranquila. Até à divisa dos Estados de São Paulo e Paraná, tudo ia bem quando, em razão de obras no quilometro 43 da BR-116, o trânsito parou e assim permaneceu. Foram mais de trinta quilômetros andando no “corredor” em baixa velocidade, tomando cuidado para não enroscar os alforjes nos carros e caminhões. Passado esse sufoco, realizamos nossa parada para descanso e abastecimento no Posto Túlio, ainda na BR-116, antes de Curitiba. Quando vamos de carro para Santa Catarina, sempre somos bem atendidos ali e de motocicleta não foi diferente.

Natureza exuberante na Serra Catarinense

Natureza exuberante na Serra Catarinense

Descansados, fomos em frente e com exceção de alguns outros trechos em obras no contorno de Curitiba, BR-101, em que havia o afunilamento de faixas, obrigando o fluxo a transitar em apenas uma faixa. Nossa viagem foi tranquila, com o sol por companhia, até chegarmos em Itajaí (SC), local esse de morada de nossos familiares, em especial Sogra, Sogro, Cunhado, Cunhada e Sobrinha.

Havíamos rodado próximo de 600 quilômetros e estávamos bem, assim como nossa motocicleta nem parecia ter percorrido tamanha distância em oito horas.

Após um delicioso churrasco de boas vindas, descansamos um pouco, aproveitamos Itajaí, visitamos amigos em Bombinhas e no domingo pela manhã, às 10h, partimos em direção ao nosso principal objetivo, a Serra do Rio do Rastro.

Serra do Rio do Rastro vista do mirante em Bom Jardim da Serra

Serra do Rio do Rastro vista do mirante em Bom Jardim da Serra

As dicas para chegar ao nosso destino foram várias, mas acreditando no relato de nosso amigo Deni, que sempre frequenta o local, partimos seguindo a BR-101 até Palhoça e ali, acessamos a BR-282. O primeiro trecho da viagem na BR-282 até a cidade de Alfredo Wagner é bonito, movimentado, com trechos em aclive por quase dez quilômetros, mas com pavimento em ótimo estado.

Rodando trinta e cinco quilômetros depois de passar Alfredo Wagner, se avista a esquerda em uma rotatória, o acesso para Urubici através da SC-430. A partir desse ponto a viagem ganha outro tom. As paisagens são maravilhosas, a natureza é exuberante, o trajeto é repleto de curvas, algumas de raio longo, outras de raio curto, sequência de “s”, subidas, descidas acompanhadas de verdadeiras pinturas da natureza.

Vista noturna da Serra do Rio do Rastro

Vista noturna da Serra do Rio do Rastro

A chegada em Urubici com uma longa avenida em linha reta mostra uma cidade tranquila, com clima um pouco mais frio e várias opções de estadia e alimentação. Do alto do mirante na rodovia que corta a cidade, é possível vê-la encravada em um vale, e as placas indicando a cachoeira do Avencal. Tais placas são um convite para belas fotos, mas o desejo de chegar logo na Serra do Rio do Rastro, aproveitando o lindo dia de céu azul nos fizeram seguir em frente. Continuamos e depois de percorrer 101 quilômetros partindo da BR-282 e a 343 quilômetros de Itajaí, adentrávamos em Bom Jardim da Serra, cidade localizada no alto da Serra do Rio do Rastro. Em razão do domingo, a cidade estava movimentada e tratamos logo de ir em direção ao nosso destino. Todos os pontos de visitação e restaurantes localizados ao longo da SC-438 estavam cheios. Ao chegar ao mirante da Serra, a emoção tomou conta de nós. A tarde estava sem uma nuvem no céu, o qual estava divinamente azul, contrastando com o verde das montanhas.

Portal da Serra Catarinense na BR-282 próximo a Bom Retiro

Portal da Serra Catarinense na BR-282 próximo a Bom Retiro

A despeito do grande número de frequentadores no mirante, foi possível realizar vários registros do trajeto, sentir a paz que aquele local transpira com toda sua imponência. Dezenas de fotos depois, chegou a hora tão esperada, transitar no trecho sinuoso da serra. Conduzir a motocicleta ali, com minha esposa na garupa, foi algo emocionante, de sentir o coração bater mais forte.

Ao final do trecho sinuoso, voltamos para Bom Jardim da Serra em busca de acomodações e optamos por um hotel localizado no alto de um morro com vista panorâmica da região. Depois de um breve descanso, aguardamos a noite cair para realizar o trajeto à noite e fazer mais fotos.

Ainda que durante o dia o clima em Bom Jardim estava quente, mas com a chegada da noite a temperatura caiu para onze graus, com sensação térmica de menos. Voltamos para o hotel extasiados, e só ai o cansaço chegou. Um jantar à luz de velas para celebrar nossos três anos de casados e uma bela cama para repor as energias para no outro dia retornar para Itajaí e no outro percorrer os quase 600 quilômetros da volta até Sorocaba.

Suzuki DL 650 V-Strom

Suzuki DL 650 V-Strom

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O motonliner Renato Campestrini contou sua moto-aventura no Portal Motonline através da oportunidade “Você no Motonline”. Participe você também. Para enviar seu texto:  clique aqui