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Honda CB 1000R 2019, de volta para futuro

Se há um efeito que a nova Honda CB 1000R não causa em quem a vê é a indiferença. Quem gosta de moto olha para essa naked – a Honda a chama de Neo Sports Café e poderá achar muitas coisas para odiar e outras tantas para amar, mas ficar indiferente a ela realmente não vai. Como líder global no setor de motocicletas, a Honda se sente na obrigação de ditar tendências, de mostrar capacidade de inovação e apresentar coisas novas ao mercado. Afinal, você certamente já ouviu a frase, “o mercado quer novidades”. Contudo, quando se fala de motos premium (acima de 500 cc) isso é sempre muito mais difícil porque os concorrentes são todos capazes e tem acesso ao que há de mais moderno e às novas tecnologias, sobretudo do ponto de vista do desempenho, onde tudo fica mais ou menos no mesmo nível. Mas na área do design a conversa é outra.

Honda CB 1000R 2019 traz a ideologia de gênero para as motos: Moderna? Café? Clássica? Ou tudo junto e misturado?

Honda CB 1000R 2019 traz a ideologia de gênero para as motos: Moderna? Café? Clássica? Ou tudo junto e misturado?

Essa evolução é fruto natural também das novas demandas dos consumidores, que querem sempre algo a mais e é isso que move a indústria. E na área do design é onde ainda há muito espaço para mudanças e inovações. Na Honda CB 1000R 2019 foi estimulada a criatividade da engenharia e design para propor uma moto diferente, que mistura conceitos e que acaba por se destacar na paisagem. Realmente a Honda fez uma naked fora do padrão tradicional e sem aquele ar agressivo igual à sua geração anterior. Apesar de sair da mesmice, ela ainda é uma naked com pitadas de streetfighter que associa a potência e a vocação esportiva com o charme das clássicas da década de 1970 e ainda com um pitada de café racer da década anterior. Veja o vídeo:

A Honda proporcionou um test-ride com a nova moto em um percurso com cerca de 300 km por rodovias, poucos trechos urbanos e estradas sinuosas. Infelizmente (ou felizmente) fizemos boa parte do percurso sob intensa chuva e, claro, nessa condição, foi possível experimentar a diferença que faz os modos de condução que a moto oferece. Na verdade são 36 combinações possíveis, sendo que 3 delas já estão pré-determinadas: “Standard”, “Sport” e “Rain”. As outras 33 o piloto pode colocar no modo “User” e combinar 4 modos de controle de tração com 3 modos de ajuste de freio motor e outros 3 modos de entrega de potência.

Moto conceito que deu origem à nova Honda CB 1000R

Moto conceito que deu origem à nova Honda CB 1000R

Ainda é possível desligar o controle de tração e andar no modo puro, o qual podemos chamar de “raiz”, com toda a potência disponível e sem qualquer ajuda eletrônica, exceto a do ABS. Mas essa condição é para poucos e talvez seja recomendado apenas para pista, já que os 141,4 cv empurram os 199 kg (fora o piloto) da Honda CB 1000R com vigor. No meu caso, essa cavalaria toda não esteve disponível porque rodei o tempo todo no modo “Rain”, onde a intervenção do controle de tração é máxima junto com o freio motor e a entrega de potência é limitada a 60% do total. Mesmo assim, foi possível abusar e perceber as intervenções dos controles eletrônicos nas bobagens cometidas pelo piloto, como o corte da potência combinado com a ação do ABS.

CB 1000R

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Iluminação full-LED

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Ajuste nas suspensões

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Painel pequeno e completo

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Comandos no punho esquerdo

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Bom encaixe no Cockpit

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Punho direito, só partida

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Belo conjunto: escape e roda traseira

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Frente e verso: esbelta

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Chassi e balança: conjunto leve e rígido

Como uma naked, a posição de pilotagem é mais inclinada e o triângulo formado pelo guidão, pedaleiras e assento não chega a ser esportivo, mas longos períodos de tocada são bem cansativos, apesar do bom encaixe das pernas no ressalto que há dos dois lados do tanque de combustível. Aliás, no abastecimento realizado durante o test-ride, o computador de bordo indicou a média de 17,1 km/litro. Um detalhe técnico e ao mesmo tempo que integra o design da nova moto é o painel, que também mistura estilos, não chega a ser um tablet, mas ficou muito funcional e agradável. Há uma lâmpada do lado direito que pode ser programada para ser simplesmente “shift-light”, aquela que avisa a hora ideal da troca de marcha, mas pode ser também programada para mudar de cor e avisar se a tocada está sendo econômica ou não. Mas eu creio que numa moto dessa classe isso não faz muito sentido e a Honda poderia encontrar outra coisa mais útil para esta lâmpada que muda de cor indicar.

Não há muito a acrescentar sobre o desempenho da nova Honda CB 1000R 2019. Embreagem de acionamento hidráulico deslizante, acelerador eletrônico e as suspensões e freios atendem de forma irrepreensível todas as necessidades de uso deste estilo de moto, com possibilidade de ajustes fáceis tanto na atuação do garfo dianteiro quanto do amortecedor traseiro, ambos fabricados pela Showa. E aqui aparece mais um elemento do design que agrada (a mim, pelo menos), que é o bonito monobraço que segura a roda côncava traseira e se destaca junto com a curtíssima rabeta com as alças de alumínio e o suporte da placa que parece flutuar junto à roda.geometria

A iluminação full-LED compõe de forma elegante o design da moto e tudo isso está bem encaixado num chassi muito simples, como uma única trave principal de perfil quadrado, que na região dos suportes de pedaleiras se une a placas de alumínio para fixar o eixo da balança monobraço. Há quem vá reclamar que o escapamento 4×2 (4 saídas dos cilindros que acabam em dois “canos”) não permite aquele som caraterístico das motos dessa classe. Contudo, esse som só vai aparecer a giros mais altos, já que o ajuste do motor foi feito para oferecer mais torque em regimes médios, entre 6 e 8 mil rpm.

Duas cores disponíveis

Duas cores disponíveis

Ela é um projeto inédito e não traz nada de outras motos. O próprio comunicado da Honda sobre esta nova CB 1000R fala apenas do motor ser derivado da Fireblade. De resto, tudo novo e próprio dela, que traz uma múltipla identidade “(…) um modelo destinado a entrar para a história.(…)”. Se entrará para a história como um sucesso ou fracasso, os poucos consumidores que podem dispor dos quase R$60 mil para tê-la é que vão dizer. Mas a Honda aposta muito nesse novo design, inclusive porque a nova linha CB 650 que vem por aí segue este mesmo caminho de misturar elementos para criar algo novo.

Saiba mais detalhes técnicos da nova Honda CB 1000R

  • Honda CB 1000R

    • Preço Público Sugerido: R$58.690,00 (base Estado de São Paulo);
    • Cores disponíveis: vermelho metálico e preto perolizado;
    • Garantia: três anos sem limite de quilometragem
    • Honda Assistance: 24 horas no Brasil e em alguns países da América do Sul.

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Sidney Levy

Motociclista e jornalista paulistano, une na atividade profissional a paixão pelo mundo das motos e a larga experiência na indústria e na imprensa. Acredita que a moto é a cura para muitos males da sociedade moderna.