Clássicas
by João Tadeu Boccoli



João Tadeu Boccoli
joaotadeu@motonline.com.br

Administrador de Empresas, Web Information Designer, Auditor ISO 9000, Consultor independente, Antigomobilista, e Arqueólogo de "ferro velho".

 
   
 
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YES ... nós temos AMAZONAS !

Imaginemos : uma era de sucateamento da industria nacional por falta de investimentos tanto públicos quanto privados, onde a importação tinha maior relevância e que já contava com o efeito dos altos preços ! ... calma, estou me referindo aos meados dos anos 70.

 
 
 

E
m 1976, o governo reconhece essa posição e tenta reverter proibindo a importação, e posteriormente levantando a bandeira de uma política de reserva de mercado, que acabaria sendo nociva a nossa indústria de eletrônicos.

Afinal tínhamos que ter uma postura para se salvar a industria nacional e equilibrar a nossa balança de pagamentos, o que de certa forma aconteceu; pena que durou mais de uma década.

As motocicletas fabricadas no Brasil praticamente inexistiam, e os amantes da velocidade e das viagens se viram órfãos da noite para o dia. O mercado de usadas, seminovas, ou ainda as novas que se tinham nos estoques das revendas simplesmente viraram ouro.

Passado os furacão, a nação tinha que continuar a andar, e o segmento das motocicletas também ... e se existe nesse nosso mundo um povo criativo e de alto poder de adaptação; esse povo é o brasileiro !

Não poderia ser diferente pois o sonho nunca termina, afinal o ronco harmonioso das 750 Four se transformaram em lamentos nas ruas brasileiras, aos ouvidos da então adolescência.

O que nunca poderíamos imaginar é que com essa inventividade e perseverança, acabaríamos descobrindo um brasileiro que projetaria uma motocicleta que seria referência mundial, e que iria ditar uma tendência que vive ate hoje mundo afora ... as MUSCLE BIKES.

Com muitas tentativas de fundo da garagem de quintal, com quadro de uma Indians, motores VW e muita gana, nem imaginávamos o que estava por nascer. Muito tempo, muito trabalho e muito dinheiro foram gastos, mas não existiam mais opções prontas para motocicletas velozes e estradeiras.

Temos também que lembrar que também não adiantava se comprar uma moto importada usada pois a importação também estava interrompida para as partes e peças que iriam ser usadas nas manutenções necessárias, e as que restavam tinham um preço astronômico.

Foi ai que surgiu Guilherme Hannud Filho entrando em cena, que ficou mundialmente reconhecido e respeitado pela qualidade de seus produtos, demonstrando os seus dotes de empresário e abre a AME – Amazonas Motocicletas Especiais; produzindo a motocicleta Amazonas que contava com quadro próprio, motorização VW a ar de 1600 cc, cambio de 4 marchas, e para a época a inusitada marcha a ré, alem de outras tantas soluções únicas que orgulhosamente foram desenvolvidas por brasileiros, no Brasil.

Com o forte apelo de durabilidade, manutenção barata e fácil entre longos intervalos, robustez, imponência em um estilo único; conseguiu-se romper as barreiras e exportou com sucesso para o Japão, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, e outros paises, mesmo com uma modesta produção anual.

Vale lembrar que muitos de nós pudemos ver a Amazonas engordando os quadros de viaturas tanto do exercito ladeando as tradicionais Harley Davidson, alem de vê-las constantemente patrulhando as estradas junto a nossa Policia Rodoviária.

 

Evidentemente, a imprensa especializada mundial teve um choque frente a aquela que era na ocasião, “a maior motocicleta em produção” do mundo, gerando até casos muito interessantes como o da eleição das DEZ PIORES MOTOCICLETAS DO MUNDO, feita pela revista americana CYCLE WORLD, onde a brasileira Amazonas participou somente por fotos e sem ter sido pilotada por ninguém. Mas o que não contavam é que vingança seria breve, com um sabor de vitória, e porque não dizer, com o melhor do marketing reverso que já se teve noticia.

O fabricante foi ter com o editor da Cycle World em Houston no Texas, que após uma viagem de 3000 kms ainda reclamou por ser lenta. Porem, ainda sem se desistir, a motocicleta teve seu motor preparado, ficando com uma potencia maior que a moto mais potente da época, a VMax; ou seja, 150 contra 145 HPs ... daí “AMAZONAS, das florestas do Brasil, aterrorizando as estradas americanas”, como chamada de uma nova matéria.

 

Bem, mas eu mesmo digo ao meu filho, nada é eterno na vida ! Mesmo com sucesso, a AME que já tinha problemas com as alíquotas de impostos aplicados (leia-se ai, tal qual a GURGEL, não tinha o mesmo incentivo das multinacionais), e a mesma razão de seu sucesso, mesmo a importação sendo apenas liberada nos anos 90, o crescimento do mercado externo que a fez menos atrativa a exportação, entre outras tantas coisinhas mais, teve a sua produção encerrada em 1990.

Mas quem é rei nunca perde a majestade, e o ícone será eterno e lembrado por todos brasileiros como um exemplo, e pelo mundo como um marco no motociclismo. Ainda podemos encontrar vários clubes da marca e seus aficionados não as trocam por nenhuma BOSS HOSS !

 

“ Antes de DESTRUIR, PRESERVE “

 

 
 
 
Matéria publicada em 02/09/2007
 
 
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