Teste Yamaha Neo AT115


No enorme universo das motocicletas pequenas, os scooters tem ganhado destaque no mercado brasileiro. Apesar de as motos convencionais até 150 cc – estilo “city street” – liderarem sem qualquer ameaça o segmento, praticamente todas as marcas têm um scooter na sua linha de produtos. O motivo é simples: a fórmula desse tipo de veículo leva mais em conta a praticidade.

Yamaha Neo AT115 a moto que une o melhor das duas categorias mais vendidas

Yamaha Neo AT115 a moto que une o melhor das duas categorias mais vendidas

Ele vai bem em qualquer tipo de uso urbano, seja a trabalho, para estudantes, ou lazer. O escudo frontal proporciona mais proteção contra sujeira e água do piso, boa capacidade de levar pequenos objetos com facilidade e a grande vantagem dos scooters modernos, a transmissão automática CVT que equipa a maioria deles eliminando a troca de marchas por completo; é só acelerar e freiar.

A Yamaha Neo AT115 reúne ainda uma vantagem adicional em relação às suas concorrentes: as rodas maiores, como das motocicletas Cub. Um conceito de motocicleta muito popular introduzido pela Honda em 1958 e que fez enorme sucesso porque une a praticidade do scooter com a ciclística de uma motocicleta, além de ser práticamente indestrutível.

A maioria dos Cubs tem motor e câmbio mais próximos de uma motocicleta. Mas não a Yamaha Neo AT115, que agregou o melhor dos dois mundos. As rodas grandes são de uma motocicleta, o chassi tipo underbone permite passar as pernas pela frente do banco como um Cub e a motorização é prática e eficiente como a de um scoter automático com transmissão CVT. O resultado não poderia ser mais adequado ao uso nas vias brasileiras, com percursos relativamente curtos mas acidentados onde as rodas pequenas dos scooters fazem com que esses percursos pareçam mais acidentados ainda. As rodas grandes da Neo rolam por cima dos buracos onde as pequenas dos scooters são engolidas por completo.

A Yamaha Neo AT115 foi lançada no Brasil no final de 2004 e vendeu até hoje pouco mais de 77 mil unidades. Em 2008 seu desenho foi renovado quando recebeu dois faróis no escudo frontal que lembra muito a Yamaha R1, mas dai em diante apenas nas cores e grafismos houve atualização.

Andando nela se percebe como é prático o sistema de transmissão automática. Só acelerar para andar e usar os freios normalmente para diminuir ou parar por completo. Nas arrancadas rápidas em avenidas, apesar do motor levemente menor que uma 125, ela não faz feio e praticamente anda junto com o grande fluxo de veículos. Como as outras da mesma categoria, em grandes avenidas e estradas deve-se atentar para se manter na faixa da direita e deixar passagem aos veículos mais rápidos. Ela vai pouco além dos 90 Km/h reais, mas mantém ótima estabilidade.

O painel é bem visível

O painel é bem visível

O marcador do velocímetro mostra um valor bem acima disso, até pouco acima de 120Km/h. Recorde de erro de velocímetro, mas não de velocidade máxima. Na verdade todas as motos pequenas, tanto scoters como cubs tem essa característica de mostrar no velocímetro uma velocidade maior que a real.

Nas buraqueiras ela poderia ser melhor, pelas características do chassi e suspensão. A frente mergulha muito e chega a bater no fim do curso facilmente ou perder contato com o solo nos rebotes da suspensão (ela pula). Resultado de um amortecimento fraco das bengalas. A Yamaha deveria recalibrar essa suspensão, o que melhoraria em muito o conjunto.
Até em boas oficinas ou revendas esse serviço pode ser realizado, mas não é um ajuste disponível ao usuário comum. Percebe-se nítidamente que essa suspensão não foi adaptada ao piso brasileiro.

Boa dirigibilidade com as rodas grandes e boa proteção contra as intempéries

Boa dirigibilidade com as rodas grandes e boa proteção contra as intempéries

Em piso bom percebe-se toda qualidade do chassi. Totalmente “na mão”, a pequena Neo é extremamente ágil nas manobras e por ser mais esguia que um scooter ocupa menos espaço também, facilitando as manobras. Em aceleração ou em situações em que seja possível diminuir a carga na dianteira, com garupa por exemplo, a suspensão traseira mostra que tem qualidades para aguentar o tranco e fazer a diferença quando a frente perder o contato coerente com o solo.

Os controles são bem posicionados, as luzes são visíveis e as chaves elétricas bem na mão. Os freios são acionados nos dois manetes do guidão. O dianteiro na direita é um pouco macio, mas bastante forte quando necessário, bom para motociclistas inexperientes. Acelerador tem curso bom que facilita o controle do motor e à noite os faróis iluminam bem. Deixam a desejar os espelhos retrovisores, que são um pouco baixos e é difícil posicioná-los para ver atrás além das laterais.

Técnica

Ciclística

A Neo tem uma geometria conservadora e pelo pouco peso acaba por ter uma dirigibilidade excepcional

A Neo tem uma geometria conservadora, menos no baixo rake de apenas 25º mas pelo pouco peso acaba por ter uma dirigibilidade excepcional

Variada de uma cub, a ciclística da Neo é bem superior a de qualquer outro scooter da mesma categoria de cilindrada. As rodas grandes aliadas a uma distância entre-eixos também maior e um trail grande permite uma dirigibilidade bastante previsível e maior estabilidade nas retas. O baixo ângulo do rake, de 25º permite boas características de respostas aos movimentos do guidão e contornos de curvas. Entretanto no uso diário, a dinâmica da suspensão dianteira pode enganar, mascarando essas boas qualidades do chassi.

Motor

Motor de características conservadoras promete durabilidade e economia

Motor de características conservadoras promete durabilidade e economia

O motor da Neo é um 4 tempos, OHC com duas válvulas carburado, de 115cm³ tem uma concepção conservadora também. É sub quadrado, tem seu diâmetro menor do que o curso (50,0×57,9). Isso em teoria diminui a potência específica (por cilindrada), mas pode resultar como nesse caso, em maior economia e torque em uma grande faixa de rotações utilizáveis. Mesmo com apenas pouco mais de 8 cv o motor consegue um bom resultado, levando em consideração sua baixa cilindrada.

Câmbio

Boa parte do resultado positivo do motor é devido às qualidades da transmissão CVT da Neo. Ao acelerar, o motor fica na sua melhor rotação, onde ele é mais eficiente e a transmissão se encarrega de ir desmultiplicando a relação, de forma progressiva enquanto a velocidade aumenta até o ponto em que a desmultiplicação termina e o motor pode subir até sua rotação máxima. Ela anda junto com a maioria das pequenas motos de 125cc, mas com um pouco menos de velocidade final e mais economia.

Freios

Bons freios com grande destaque ao grande disco na dianteira. Tem sensibilidade compatível com o tipo de moto com mais destaque para o traseiro. O freio dianteiro, quando acionado com mais força trava facilmente, talvez pela calibração ruim da suspensão dianteira. Mas isso não compromete sau eficiência.

Suspensão

Suspensão dianteira mal calibrada para nossas ruas esburacadas

A suspensão dianteira é mal calibrada para nossas ruas e é belo e eficiente o disco de freio na roda de liga leve

Deve receber atenção da fábrica no acerto da suspensão dianteira. Pouca progressividade da mola e pouco amortecimento faz com que a boa dirigibilidade oferecida pelo chassi fique comprometida em terrenos menos lisos. A frente bate muito e chega a perder contato com o solo em momentos mais críticos. Na traseira o funcionamento é bem melhor, com boa progressividade que aceita bem uma garupa e mantém a roda sob controle, mesmo nos terrenos ruins.

Acabamento

Muito bom acabamento, digno da marca. Encaixes perfeitos, com pintura de qualidade e tratamento das superfícies metálicas com bom aspecto. Apenas a tampa superior da carenagem traseira (sob a alça), se desencaixa facilmente. Andando foi possível perceber que é um probelma crônico do modelo, pois outras Neo encontradas também tinham o mesmo problema.

Equipamentos

São de primeira linha os componentes elétricos, tubulações e outros componentes. Apenas deveria ter a bateria selada como a maioria dos veículos atuais e o respiro dessa bateria também é muito curto, deixando vulneráveis as partes do chassi abaixo do fim do tubo, que pode respingar solução ácida na pintura. Na parte interna do escudo frontal, dois bons espaços para “coisinhas” e o gancho para pendurar sacolas compensam a falta do piso, presente nos scooters e que são muito úteis em determinadas situações.

Tabela de consumo durante o teste:

Tabela de consumo

Tabela de consumo

 

Ficha técnica Yamaha Neo AT115

Ficha técnica Yamaha Neo AT115

 

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