|
|
|
.. |
A
Kahena oferece duas opções de motorização.
O de 65 cv a 4.600 rpm e o de 90 cv a 5.800 rpm, que equipa esta
versão mais esportiva. Nos dois casos a carburação é dupla
Brosol de 32mm e o câmbio de quatro marchas, mais ré, é produzido
pela Kahena, utilizando engrenagens originais VW.
O primeiro contato com a Kahena assusta. Seu porte grandalhão
dá a impressão que de só mesmo um super atleta
seria capaz de equilibrar os 320 kg. Felizmente essa impressão
se desfaz no momento de se posicionar sobre o banco - em dois níveis.
Graças a um sistema de eixo excêntrico colocado no
monoamortecedor traseiro, é possível regular facilmente
a altura (do banco até o chão), variando de 740 a
800 mm. Na menor altura, pode-se segurar a Kahena com os dois pés
no chão, mesmo para quem tem 1,65m de altura.
|
|
Lateral
direita |
|
|
|
Painel |
|
 |
|
Motor
VW |
|
 |
|
| Roda
traseira |
|
Apesar do estilo "touring-sport", que lembra um pouco
o desenho da Kawasaki Ninja ZX11, o guidão tem formato largo
e alto, tornando a posição de pilotar bem próxima
a de uma custom. A bolha de plástico fumê da carenagem
oferece boa proteção ao piloto, desviando o vento
por cima da cabeça. O resultado desse posicionamento é um
bom nível de conforto para o piloto, mas quem fica melhor é o
garupa, que desfruta de um amplo espaço e ainda tem dois
apoios para se segurar na hora da aceleração.
Para viajar a posição permite pilotar por horas
seguidas, com uma boa ajuda da suspensão macia. O banco
em dois níveis tem boa cobertura de espuma e chega a envolver
a capa do tanque (o tanque de verdade - com 26 litros - fica sob
a capa). Os comandos elétricos são os mesmos da Honda
CBX 200 Strada. As manoplas são encontradas no mercado (Circuit),
bem como as manetes.
MARCHA A RÉ
Uma das vantagens de utilizar o motor VW, ainda que modificado, é a
facilidade de manutenção. Até no Japão
encontram-se peças desse motor. Alguns componentes são
aproveitados da indústria automobilística, como as
pastilhas de freio do Gol, a bateria selada que não requer água
e a ignição eletrônica. Essa versatilidade é um
dos atrativos que fazem a Kahena ter sucesso em mercados como Alemanha
e Japão.
Outros itens são desenvolvidos pela própria Tecpama,
fabricante da Kahena, como o painel, que utiliza instrumentos analógicos,
mas já está pronto um novo painel com instrumentos
digitais. O painel com instrumentos redondos, de fundo branco,
conta com velocímetro, conta-giros, hodômetro parcial
separado e marcador de nível de gasolina. As luzes de advertência
ficam dentro do conta-giros. Nos próximos modelos
Já haverá uma luz adicional de advertência
indicando a marcha a ré engatada. Como sistema de segurança,
a Kahena só liga com a embreagem (hidráulica) acionada,
para evitar sustos de ter alguma marcha engatada e os 320 kg pularem
sem controle. Com o motor funcionando, a primeira sensação
faz lembrar as BMW alemãs. Quando se acelera a moto inteira
inclina para a direita, resultado do efeito giroscópico
do virabrequim. Com a Kahena em movimento esse feito desaparece,
graças a ação do câmbio, que gira no
sentido contrário. A primeira arrancada também faz
lembrar a BMW e outras motos com transmissão por eixo cardã,
porque a traseira levanta, mesmo nas retomadas de velocidade.
Com quatro marchas e o motor com boa retomada de velocidade, as
trocas de marchas são menos constantes. Ainda bem, porque
a alavanca de câmbio é um pouco pequena e dificulta
o acionamento das marchas. Já existe uma alavanca com acionamento
duplo (ponta do pé e calcanhar) que poderá ser oferecida
opcionalmente e que facilita muito as trocas de marchas.
Em pouco tempo se acostuma com as dimensões da Kahena (2.267mm
de comprimento e 790mm de largura). Não é preciso
ser um super-motociclista para pilotá-la tanto na cidade
como na estrada (seu hábitat). E claro que costurar no trânsito
se torna difícil, mas é quase tão complicado
quanto rodar com uma Harley-Davidson das grandes ou uma BMW boxer.
Com um pouco de prática dá para arriscar alguns corredores
entre os carros parados, com a certeza de que os espelhos retrovisores
não acertarão os outros veículos.
Os pneus utilizados (Pirelli 120/70 ZR 17 na frente e 170/60 ZR
17 atrás) permitem inclinar suavemente nas curvas, sendo
limitado apenas pelos cavaletes que raspam no asfalto. Como opção,
pode-se escolher o pneu dianteiro 130/70 ZR 17, mais largo, que
deixa a frente mais fácil de manobrar em baixa velocidade,
mas limita a inclinação nas curvas (que para alguns é mais
um fator de segurança).
A suspensão colabora para a estabilidade. Na dianteira
foi utilizado garfo telescópico, com curso de 155mm. Na
traseira a suspensão é monoamortecida, do tipo Cantilever,
com o amartecedor possando sob a capa da tanque de gasolina (como
na Yamaha DT 180) e monobraço. Uma das vantagens do monobraço é facilitar
a remoção da roda traseira, bastando retirar seis
parafusos.
QUESTIONÁRIO
O acabamento continua merecendo atenção por porte
do fabricante. Uma das providências futuras será substituir
algumas peças moldadas em fibra de vidro por plástico
injetado. O ideal seria usar todas as peças (carenagem,
laterais, rabeta) de plástico, mas isto iria acarretar em
um aumento de preço. A versão básica está sendo
vendida a R$ 12.300.
Outro detalhe que poderia reduzir peso seria a utilização
de mais peças de alumínio. O quadro, pox exemplo, é do
tipo deltabox, de aço estampado, que pesa 23 kg. Caso fosse
feito de alumínio, esse peso seria reduzido para menos de
10 kg, mas novamente esbarra no custo.
Uma multidão de curiosos sempre envolve a Kahena a cada
vez que se estaciona. As perguntas mais comuns são: 1) O
motor é do Fusca? Mais ou menos, porque parte do motor é alterada
para receber novo câmbio e um volante menor. 2) E difícil
de dirigir? Não, ao contrário, com o centro de gravidade
mais baixo, em relação a uma moto de motor em linha,
torna-se fácil equilibrar mesmo em baixa velocidade; 3)
Tem marcha a ré? Sim, e isso ajuda muito para estacionar.
4) E se cair no chão, como se faz? Se for com ela parada
não há problema, porque ela não chega a deitar
completamente, pois fica apoiada no protetor do motor, basta um
empurrão e ela volta a posição de pé.
5) Corre muito? Essa versão de 90 cv beira os 190 km/h de
velocidade máxima.
Por ser um veículo ainda relativamente novo (apenas cinco
anos de produção), pode-se esperar ainda alterações
nos modelos futuros. O que mais tem-se solicitado da fábrica é a
produção de um modelo custam, nos moldes da Harley-Davidson.
Ficha técnica KAHENA ST 1600
| Motor |
|
| Tipo |
4
tempos, 4 cilindros, opostos, refrigerados a ar, comando simples
no bloco, acionado por vareta, 2 válvulas por cilindro |
|
| Cilindrada
total |
1.584
cm³ |
|
| Diâmetro
e curso |
85,5
x 69,0 mm |
|
| Sistema
de lubrificação |
Forçado
por bomba trocoidal e banho de óleo |
|
| Potência
máxima |
90
cv a 5.800 rpm |
|
| Alimentação |
2
carburadores duplos Brosol, 32 mm |
|
| Taxa
de compressão |
7,5:1 |
|
| Transmissão |
|
| Câmbio |
quadro
marchas à frente e uma à ré |
|
| Relação
primária |
por
engrenagens |
|
| Relação
secundária |
eixo
cardã |
|
| Estrutura |
|
| Quadro |
Perimetral,
duplo, de aço estampado |
|
| Suspensão
dianteira/curso |
Garfo
telescópico /155 mm |
|
| Suspensão
traseira |
Monoamortecedor
tipo Cantilever, regulável/ 100 mm |
|
| Pneus |
|
| Pneu
dianteiro |
120/70
- 17 |
|
| Pneu
traseiro |
170/60
- 17 |
|
| Freio
dianteiro/Diâmetro |
Disco
e pistão duplo / 240 mm |
|
| Freios |
|
| Dianteiro |
A
disco duplo/275 mm |
|
| Traseiro |
A
disco/200 mm |
|
| Dimensões |
|
| Comprimento |
2267
mm |
|
| Altura |
1.280
mm |
|
| Largura |
790
mm |
|
| Altura
do banco |
740
a 800 mm |
|
| Entre-eixos |
1560
mm |
|
| Peso
seco |
317
kg |
|
| Capacidades |
|
| Tanque
de gasolina |
26
litros |
|
| Reservatório
de óleo |
2,5 litros |
|
| Sistema
elétrico |
|
| Ignição |
Eletrônica |
|
| Partida |
elétrica |
|
| |
|
* Este teste foi realizado originalmente em 1992. Faltaram
dados de consumo porque a moto avaliada falhava constantemente,
mas não
era muito melhor do que o consumo de um Fusca da época,
com um agravante: os motores de carro são feitos para funcionar
fechado em um compartimento e não exposto. Por isso o barulho
era absurdo e o cheiro de gasolina constante. Bom, depois de algum
tempo percebi que a tampa do tanque de gasolina tinha pulado fora!
O modelo custom foi lançado logo em seguida. Ela deveria
fazer cerca de 12 km/litro na cidade!
Eu até gostei de brincar com a Kahena e sei que existem
adoradores dessa moto e da Amazonas até hoje. Aliás,
no texto original está escrito que a Kahena foi a primeira
moto 100% nacional, o que não é correto, pois antes
dela a Amazonas já tinha sido produzida. Mas preferi manter
o texto original.
Hoje, passados mais de 10 anos, a moda dos triciclos com motor
de Fusca está se espalhando e a qualquer momento algum desses
artistas é capaz de relançar uma moto-Fusca!
| ..
|
|