Motoclubes & Motonliners
by Terezinha



Terezinha é Psicóloga, com curso de especialização em Administração Hospitalar. Responde pela Diretoria Administrativa de Hospital/Maternidade Público. Casada com um motociclista fanático.

 
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Histórias de um motociclista fanático

Na próxima "encadernação" eu quero nascer MOTOCICLETA e de preferência de propriedade de alguém como meu marido! Agora mesmo em que estou escrevendo a matéria, ele está lá encerando a sua garotinha... Entre lavagem e etc. lá se foram exatas 3 horas! Não sei como é que a tinta não esfola!


 
 
Pausa para flanelinha
 
 


A
pesar de ser uma raridade encontrar um homem que não seja apaixonado por sua moto...

Pensando bem, encontra-se sim! A esses podemos dar o nome de motoqueiros! Já que não temos uma outra palavra melhor para usar, não é mesmo?
Motoqueiro é o camarada que costura irresponsavelmente o trânsito, que não respeita sinalização nenhuma, que faz manobras radicais nos retrovisores dos outros e que na passagem de ano economiza fogos “estourando” sua moto até o sol raiar... Esse não gosta de moto! E não está nem aí para o ouvido dos outros! Consequentemente também ninguém gosta dele! Na verdade esse é o camarada que denigre a imagem do motociclista!

Motociclista que se preza gosta mesmo de sua moto e de tudo o que se relaciona com ela... E, só de vez em quando tem uma vontadezinha de arrebentar algum retrovisor, visto que seus donos não o utilizam...

Mas quando falo de meu marido, não falo de um motociclista normal... Lembre-se: ele é fanático!
Confesso que não foi nada fácil me manter casada com ele. Imagine uma pessoa que adora andar de moto e ODEIA andar de carro!
Temos um carro e uma moto. Quando está frio, chovendo, advinha para quem sobra ter que levá-lo ao serviço? Pois é, euzinha! Vocês não têm noção de como eu fico aflita para chegar logo ao local de destino e vê-lo saindo porta afora!

 
A paixão mais recente do Sal
 
 
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Ele fica parecendo um cachorro preso. Tudo o irrita! Ele mexe em tudo no carro: organiza o porta luvas e todos os compartimentos possíveis, muda 18 vezes a estação do rádio, reclama do trânsito, dos faróis e fica o tempo todo falando: Se eu estivesse de moto já estaria lá em tal local!

Bem, em São Paulo isso é verdade! Está muito difícil a mobilidade com carro... Mas se não dá para ir de moto e tem que ir de carro, dá, por favor, para ficar quieto?????
Se eu não precisasse do carro para ir trabalhar, eu emprestaria o carro para ele só para me livrar dessa tortura... Ninguém merece...

Revistas? De tudo quanto é tipo! Que falem sobre moto, claro!De compra e venda, inclusive! E uma pergunta que não quer calar: Mas para quê se ele não estava comprando ou vendendo? Para saber quanto vale a minha, era o que respondia... Mas, toda semana?

Desde que nos casamos, ele já teve uma Falcom Azul e uma vermelha, uma XT, uma SRAD, uma V Max, uma Bandit 600, uma Bandit 1200 e agora, por último uma Hornet 600... (A propósito, de quem foi a idéia de lançar no mercado uma Hornet anunciando novo design, melhor desempenho e com o preço menor do que o modelo anterior? Esse homem anda muito invocado com isso...)

A bem da verdade, quem salvou nosso casamento a princípio foi o Tite, pasmem!
Nas revistas espalhadas pela casa e que às vezes folheava, não encontrava nada que me interessasse, a não ser as matérias do Tite! Morria de rir... Comecei a gostar tanto que esperava as revistas novas... Adorei quando ele comprou para eu ler o livro “O mundo é uma roda”, do Geraldo Tite Simões!

Passear juntos também era muiiiiiiiiiiito bom, mas andamos tomando alguns sustos.
Uns camaradas, sustentados pela turma que compra peças e motos roubadas, uma vez nos pediu “gentilmente” que saíssemos de cima da nossa. Graças a Deus, meu marido não reagiu... Ficamos a pé... E tenho certeza que ele só não reagiu porque eu estava com ele...

Numa outra situação, ele estava indo sozinho com a Hornet para um curso em Alphaville e na Castelo Branco percebeu que estava sendo perseguido por 2 motos...

Quando o vi adentrar na sala onde trabalho, branco, da cor da camiseta, percebi que não era uma visita comum, que havia alguma coisa errada! Ele havia feito diversas manobras e escapado do roubo... Agradeço muito e só a Deus por isso, porque o final poderia não ter sido esse, não é mesmo? Na época registramos ocorrência até prevendo alguma multa pelo excesso de velocidade... Dez dias depois morreu um motociclista no mesmo local, que colidiu na Castelo Branco fugindo de bandidos. A multa seria o de menos...

Andar em turma foi a forma de viajar com um pouco mais de tranqüilidade... O problema era negociar as pausas pra passar a flanelinha...

 

 
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Matéria publicada em 20/07/2008
 
 
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