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Kawasaki Ninja ZX-6R: a voz da moderação

A única moto representante do segmento das superbikes médias  – aquelas equipadas com motores de 600 cm³ – no mercado brasileiro é a Kawasaki Ninja ZX-6R. Sua versão 2019 recebeu vários aprimoramentos e agora chega com preço “competitivo”, como enfatizou Sônia Harue, gerente comercial e de marketing da Kawasaki: R$49.990,00. E a Sônia tem razão! Note que, apesar desse preço ainda ser proibitivo para a maioria, ao olhar para o degrau superior das superbikes – aquelas equipadas com motores de 1000 cm³ – nada será encontrado por menos R$70.000,00. Talvez seja por isso que o segmento sport vende cada vez menos. Veja o vídeo:

Sônia Harue: sozinha no segmento das superesportivas médias e o preço "reduzido" da Ninja ZX-6R ajuda; objetivo é vender 100 unidades por mês. Será que dá?

Sônia Harue: sozinha no segmento das superesportivas médias e o preço “reduzido” da Ninja ZX-6R ajuda; objetivo é vender 100 unidades por mês. Será que dá?

Ao estabelecer essa distância, a Kawasaki consegue argumentar com mais força aos potenciais consumidores dessa classe de motocicleta que vale a pena ter uma superbike média que vai entregar tudo o que as outras entregam, mas por um preço no mínimo R$20.000,00 mais barato. E na pista, onde a nova Kawasaki Ninja ZX-6R 2019 foi apresentada e de fato é o local mais adequado para ela mostrar todo seu potencial, a moto mostrou que evoluiu e traz os atributos necessários para agradar aos motociclistas (ou seriam pilotos?!?!). No entanto, que fique claro desde já que esta moto, assim como todas as outras superbikes, não se prestam ao uso na cidade, mas apenas em estradas e, de forma ideal, nas pistas.

Além do preço, a Ninja ZX-6R é uma moto mais adequada aos pilotos que buscam aprimorar sua técnica de pilotagem e tentam explorar seus limites porque ela entrega um desempenho muito bom, mas dentro de limites de segurança mais adequados aos menos experientes. Mas é claro que o sonho de todos que curtem a categoria são as superbikes com motores de 1000 cm³, iguais às que andam no Mundial de Superbike, como Honda CBR 1000RR, Yamaha R1, BMW S 1000 RR, Kawasaki ZX-10R, e Ducati Panigale V4 R.

Ninja ZX-6R, o que mudou?

Não mudou muita coisa do ponto de vista técnico, mas as poucas mexidas deixaram a moto mais equilibrada no manejo entre as baixas e altas rotações que o poderoso motor se permite. O comunicado oficial da Kawasaki fala em uma “…motocicleta de média cilindrada que oferece o melhor dos mundos na condução esportiva…, com desempenho excepcional em todas as faixas de rotações, com especial atenção para o vigoroso torque desde baixas…”. E isso pode ser considerado um bom resumo do que a moto oferece de novidade, não exigindo muito esforço com a embreagem para as arrancadas, tampouco intensas trocas de marchas para retomadas de velocidade.

Esbelta, cara de má e muito rápida: a medida certa para quem quer aprimorar sua tocada esportiva... nas pistas

Esbelta, cara de má e muito rápida: a medida certa para quem quer aprimorar sua tocada esportiva… nas pistas

Aliás, nas trocas de marchas está uma das novidades da moto, o KQS (Kawasaki Quick Shifter), que permite trocas de marchas sem uso da embreagem, mas esse novo recurso só permite as trocas de marcha para cima e não nas reduções. Outra atualização recebida foi na relação de transmissão da moto, com uma caixa de marchas do tipo “cassete”, que permite a troca rápida da relação de acordo com a pista que se vai correr, e também na relação secundária, com o pinhão um dente menor, agora com 15 dentes, deixando a relação um pouco mais curta (15 x 43), o que propicia mais força nas baixas rotações e vigorosas retomadas de velocidade.

A moto também ganhou mais eletrônica, agora com 4 modos no controle de tração KTRC (Kawasaki TRaction Control), dois modos de controle de potência e mais dois modos no sistema de freios ABS KIBS (Kawasaki Intelligent anti-lock Brake System). O KIBS é um item exclusivo da marca que, além das diferenças de rotação das rodas, combina informações da posição do manete, das pinças e da rotação do motor para atuar com maior sensibilidade e gerar uma interferência muito mais precisa nas frenagens, quando necessário. Toda essa eletrônica está sempre à disposição do piloto, mas ele pode simplesmente desligar tudo e correr no modo “raiz”, puramente na capacidade do piloto, sem qualquer auxílio eletrônico. Mas os controles permitem 8 combinações diferentes, de acordo com o gosto e necessidade do piloto e das exigências da pista e do estilo de pilotagem.

Sob qualquer ângulo, a inspiração para o novo design é da Ninja H2

Sob qualquer ângulo, a inspiração para o novo design é da Ninja H2

As suspensões seguem iguais, mas os ajustes na dianteira agora são bem fáceis de operar, todos – compressão, pré-carga e retorno –  localizados na parte superior dos dois tubos da garfo. A traseira também tem os mesmo ajustes, mas exige um pouco mais de trabalho. Complementam os ajustes técnicos na nova Ninja ZX-6R 2019 detalhes como o a nova ponteira do escapamento em formato triangular, que permite inclinação maior nas curvas, a embreagem assistida e deslizante, que evita o travamento da roda traseira em reduções de marcha mais bruscas, e uma conexão entre os dois tubos do escapamento, que otimiza as saída de gazes. Um pequeno detalhe é que o modelo 2019 perdeu 1 cv em relação ao modelo anterior (130 cv contra 131 cv) em função do novo ajuste para adequação às rígidas normas de emissões de poluentes do PROMOT4.

Cockpit

Cockpit

Assento mais curto

Painel

Painel

Indicador de marcha e de combustível

Quick-shifter

Quick-shifter

Trocas de marcha mais rápidas

Escapamento

Escapamento

Ponteira triangular

Na parte visual, muitas mudanças que dão à ela o mesmo design que remete à Ninja H2. Ela ganhou novas carenagens e faróis de LED na dianteira e traseira, o assento do cockpit está mais curto, encaixando o piloto de maneira mais segura, e os grafismos e também são diferentes. O painel agora inclui o medidor de combustível, autonomia restante e o indicadores de marcha e de pilotagem econômica, além de todas as outras informações tradicionais e as luzes-espia. Para quem quiser escolher a cor da sua Ninja ZX-6R, pode esquecer. A moto chega à rede de concessionárias Kawasaki a partir da 1ª quinzena de abril apenas na combinação de cores Lime Green/Ebony/Metallic Graphite Gray ao preço público sugerido de R$49.990,00.kawasaki-ninja-zx_6r_geometria

Ninja ZX-6R 2019: resumo das mudanças e ficha técnica

  • KQS (Kawasaki Quick Shifter): permite mudanças de marcha para cima sem utilização da embreagem; só funciona acima de 2.500 rpm;
  • Transmissão: do tipo cassete, que facilita a troca rápida de marchas e reduz o tempo de necessário para ajuste em pista;
  • Transmissão secundária: mais curta (43/16 >> 43/15) para oferecer mais força em baixas rotações e retomadas de velocidade;
  • Embreagem assistida e deslizante: acionamento do manete mais leve e evita o travamento da roda traseira em fortes desacelerações:
  • Assento: novo desenho, mais compacto e estreito na parte frontal, permite melhor acomodação do piloto;
  • Nova carenagem e para-brisas: oferecem melhor proteção e penetração aerodinâmica no uso esportivo;
  • Faróis de LED: novos faróis de LED na dianteira e na traseira; os piscas ainda são com lâmpadas comuns;
  • Design: novo desenho do conjunto remete à Ninja H2;
  • Escapamento: novo tudo do escapamento em formato triangular, aumenta a capacidade de inclinação nas curvas;
  • Painel com novos recursos: medidor de combustível, autonomia restante e indicador de marcha.

Ficha Técnica

Motor 4 cilindros em linha DOHC, 16 válvulas, arrefecimento líquido
Potência máxima 130 cv a 13.500 rpm
Potência máxima com Ram Air 136 cv a 13.500 rpm
Torque máximo 7,2 kgf.m a 11.000 rpm
Diâmetro x curso 67 x 45,1 mm
Capacidade cúbica 636 cm³
Taxa de compressão 12,9:1
Alimentação Injeção eletrônica (38 x 4)
Transmissão final Corrente
Número de marchas 6 velocidades
Relação de marcha: 1ª 2,846 (37/13)
          2ª 2,200 (33/15)
          3ª 1,850 (37/20)
          4ª 1,600 (32/20)
          5ª 1,421 (27/19)
          6ª 1,300 (26/20)
Relação de redução primária 1,900 (76/40)
Relação de redução final 2,867 (43/15)
Chassi Perimetral em alumínio
Suspensão dianteira Garfo telescópico upside-down Showa (BBF) com tubos de 41mm de diâmetro, ajuste de compressão, retorno e pré-carga de mola e curso de 120 mm
Suspensão traseira Amortecedor Bottom-Link Uni Trak a gás com reservatório externo, ajuste de compressão, retorno e pré-carga de mola, curso de 151 mm
Cáster 23,5°
Trail 101 mm
Ângulo de esterçamento (esq./dir.) 27°/27°
Pneu dianteiro 120/70ZR17M/C (58W)
Pneu traseiro 180/55ZR17M/C (73W)
Freio dianteiro 2 discos semi-flutuantes Nissin de 310 mm de diâmetro, pinças monobloco de montagem radial com 4 pistões opostos cada
Freio traseiro 1 disco de 220 mm de diâmetro, pinça de 1 pistão
Comprimento total 2.025 mm
Largura total 710 mm
Altura total 1.100 mm
Distância entreeixos 1.400 mm
Distância livre do solo 130 mm
Altura do assento 830 mm
Peso em ordem de marcha 196 kg
Capacidade do tanque 17 litros

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Sidney Levy

Motociclista e jornalista paulistano, une na atividade profissional a paixão pelo mundo das motos e a larga experiência na indústria e na imprensa. Acredita que a moto é a cura para muitos males da sociedade moderna.