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Responda rápido: o que é mais fácil de regular? Uma injeção eletrônica ou um carburador?
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Mas se você não tem esse talento todo, também vai acabar respondendo “carburador!” por simples desconhecimento do que existe disponível na internet. Como assim na internet? Dá pra regular injeção pela internet? Sim, meu caro Watson... dá sim, e é o que todo mundo faz só que vamos ter que ir para os EUA, já que aqui no Brasil ainda estamos muito... deixa pra lá.... mas antes de começar, vamos entender o que um injeção eletrônica faz: Todos que vão explicar os sistemas de injeção dizem que é algo complicado e falam sempre em “módulos”, é módulo disso, módulo daquilo, sensor daquilo outro, mas poucos falam que esses componentes nada mais são do que simples computadorzinhos, e bota “zinhos” nisso. Na verdade esse “cérebro eletrônico” é tão burro que só sabe fazer contas simples e verificações em tabelas mapeadas em sua memória. É possível que seu celular tenha mais poder de processamento do que um “módulo” de injeção. Funciona assim: para cada rotação do motor combinada com a posição do acelerador há um valor ótimo de mistura ar/combustível em uma tabela na memória que serve de base para uma equação onde algumas variáveis são informações obtidas pelos sensores do motor (e podem ser vários). Em cada ponto da tabela o “módulo” vai calcular a quantidade de combustível que precisa ser injetada pra que o motor reaja de forma adequada às condições daquele momento, e isso pode variar no nível do mar ou em grande altitude, se está frio ou quente, se está chovendo ou não, a temperatura do motor naquele momento além de algumas constantes como o tipo de bico utilizado, ou a vazão de ar do sistema de admissão. O tal computadorzinho (Electronic Control Unit ou ECU) pega esses dados,
faz as contas rapidamente (afinal ele só sabe fazer isso, tem
mais é que ser rápido mesmo) e manda um sinal para o injetor
deixar passar a quantidade certa de combustível, e dependendo
do caso pode mandar a ignição atrasar ou adiantar um pouquinho. É só isso
que esse “gênio” faz.
Por outro lado a injeção requer um equipamento especializado para qualquer alteração no mapa base que está gravado dentro do “módulo” de injeção. Esse tal equipamento especializado é o terror dos mecânicos tradicionais, mas é sobre ele que vamos falar hoje. Então você comprou uma moto com injeção, trocou o filtro de ar, trocou o escapamento e descobriu que perdeu desempenho, ao invés de ganhar, porque sua mistura ficou pobre já que há um fluxo de ar muito maior do que estava previsto no mapa original. Para resolver isso você leva a moto a um mecânico e ele diz “ihh dôtor, essa coisa de injeção num tem cumu resorvê não, isso é “di frábica! Bobagem. Na internet você encontra a solução facilmente, são os módulos de correção de injeção (não são vendidos com esse nome, mas é isso que fazem). Se você conhece a DynoJet, famosa pelos seus kits de agulhas e giclês para ajuste fino de carburadores, saiba que eles também oferecem o PowerCommander (http://www.powercommander.com) para ajustar sistemas de injeção, bem como empresas especializadas em escapamento, como a Vance & Hines também têm seus similares como o FuelPack (http://www.vanceandhines.com/), mas há vários outros no mercado, variando apenas na forma de atuação e no suporte pela internet.
Vou falar rapidamente do PowerCommander versão 3 com porta USB, mais conhecido como PCIII USB, que tem a vantagem de também alterar o ponto da ingição conforme o mapa de ajuste. Esse produto é feito para se encaixar ao ECU original da sua moto e atua corrigindo valores, ou seja, ele interfere nos sinais de saída da ECU utilizando um mapa corrigido que pode ser editado por você, ou vindo de um download na internet, fazendo com que na combinação dos valores das duas tabelas (a original e a do PCIII) os injetores e a ignição atuem de forma adequada. O bom desse produto é que se você removê-lo, a moto volta ao estado original, conforme os mapas originais que permaneceram intocados dentro da ECU da sua moto. Como foi dito, essa versão corrige o mapeamento da injeção
(Fuel Table) e da ignição (Ignition Table) conseguindo
um resultado bem otimizado para a sua moto, por isso é tão
popular, mas há o inconveniente dele ficar instalado fisicamente
na moto, portando sujeito a desgaste, fadiga, defeitos, etc.
O SERT não é instalado na moto, ele é uma interface entre o seu notebook e a sua moto, uma vez que você carregue do mapa modificado na sua ECU, você deve remover o SERT e guardá-lo. Evidentemente que a Harley não é boba e criou uma forma de gravar no SERT o serial number da sua ECU, de forma que uma vez instalado na sua moto, o SERT só funcionará nela e em nenhuma outra, ambos ficam casadinhos até o final dos tempos. Se isso não fosse feito, toda oficina Harley estaria comprando um único SERT e vendendo os serviços de tuning aos usuários. Seria moleza, não é? Mas não para a Harley Davidson Motor Company...
Ambos os sistemas, SERT ou PCIII, funcionam com mapas editáveis,
e é aí que a internet entra pra valer na vida de um motociclista.
O CD original do SERT vem com vários mapas para todas as modificações
possíveis usando peças originais Harley (são centenas),
mas não tem mapas para peças de terceiros (que são
milhares), já o PCIII tem no site uma área para downloads
com milhares de mapas desenvolvidos pela equipe da DynoJet com base nos
retornos das suas redes de Dyno Centers (falarei mais sobre isso...)
e no uploads de usuários cadastrados. É isso mesmo que
você leu, nada impede que você tenha feito um mapa perfeito
para sua moto, adequado a gasolina brasileira, e compartilhe ele com
outros usuários. Tudo isso você encontra em fóruns
internacionais de entusiastas, basta encontrar aquele mais especializado
na sua moto, essas comunidades são excelentes fontes de pesquisa
para qualquer assunto relacionado à motocicletas. Para quem gosta
de Harley, tem o www.hdforum.com que é bem
completo, mas há vários outros.
Um motociclista consciente e um bom internauta vai compartilhar esse
mapa com outros da sua comunidade para que aqueles que tenham motos similares
não tenham que pagar o custo do Dyno Center (cerca de 150 dólares,
por sessão) para conseguir um mapa igual ao seu. É assim
que a coisa funciona, e a comunidade vai se enriquecendo de sabedoria
e incrementando as possibilidades de ajustes.
Mas não precisamos ir a esses extremos, afinal você só trocou o filtro e o escapamento, então faça um download de um mapa pré-configurado com esse ajuste para sua moto (modelo e ano são fundamentais para encontrar o mapa correto) e seja feliz. Garanto que esse mapa pré-ajustado para as suas modificações será muito melhor do que o original da sua moto, que se tornou inútil depois que você mudou os componentes. Sabem quanto custa um SERT ou um PCIII USB? Cerca de 300 dólares ou menos (o SERT costuma ser um pouco mais caro), o mesmo valor que se gasta em um escapamento simples nos EUA, e essa é uma das razões do sucesso desse tipo de aparelho já que o custo de um download “oficial” em uma concessionária, como nos casos de modificações com peças originais Harley é de 150 dólares, valores próximos aos praticados pela Suzuki, Honda e Yamaha. Os downloads oficiais geralmente atendem as normas EPA americanas, e tendem a fornecer uma mistura mais pobre do que a ideal para reduzir a emissão de poluentes, além de não suportarem certos acessórios de terceiros. Isso sem contar que muitas vezes os “técnicos” das concessionárias acabam escolhendo o mapa errado, já que eles não são experts nisso, e sua moto fica muito distante do ideal. Sabe como são as concessionárias... Então, mexer com injeção é moleza ou não é?
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