Suzuki Intruder 125

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Quando o mercado brasileiro experimentou aquela enxurrada de novas marcas de motocicletas no início do novo milênio, quase todas elas tinham na sua linha de produtos uma pequena custom. A Suzuki – leia-se J. Toledo da Amazônia, que já montava as motos por aqui, também tinha as suas pequenas custom desde 2002 com a linha Intruder em duas versões: 125 e 250.

Desenho clássico e comportamento dócil: a pequena custom da Suzuki tem no conforto e na economia de combustível seus maiores atrativos

Desenho clássico e comportamento dócil: a pequena custom da Suzuki tem no conforto e na economia de combustível seus maiores atrativos

De todas aquelas marcas e suas pequenas custom, poucas sobreviveram e apenas três continuam disponíveis hoje e merecem menção: Kasinski Mirage 250, Dafra Kansas 150 e Suzuki Intruder 125. A mais barata e mais vendida é a Intruder 125 que, de acordo com os comentários de seus proprietários no Guia de Motos da COMUNIDADE MOTONLINE, é uma opção diferenciada em relação às street para quem não deseja ser confundido com os profissionais do motofrete e admite personalização ao gosto de cada um, só dependendo da capacidade do bolso.

Boa média de consumo e com tendência de melhora

Boa média de consumo e com tendência de melhora

Na Suzuki Intruder 125 2012 avaliada por Motonline, muitas das características positivas e negativas apontadas pelos consumidores persistem. Do lado positivo, o destaque fica para a economia de combustível, o conforto e a qualidade do acabamento da moto, com peças plásticas e cromados bem feitos e, ao melhor estilo Harley-Davidson, pára-lama dianteiro em aço. Do lado negativo, o farol fraco, o motor lento e a excessiva vibração do motor ganham destaque. Assim, fica o alerta para vigiar de perto as fixações e reapertos.

Placa solta: alerta para reaperto geral antes de sair

Placa solta: alerta para reaperto geral antes de sair

Como a base para esta avaliação é a opinião dos consumidores que publicaram suas opiniões sobre a Intruder 125 no Guia de Motos da COMUNIDADE MOTONLINE, decidimos compilar as reclamações mais relevantes e pedir a opinião da fábrica, dando a ela a oportunidade inclusive de enriquecer esta avaliação. Contudo, a J.Toledo limitou-se a responder que “os questionamentos feitos pelos consumidores são bastante subjetivos, e (…) nos reservamos ao direito de não respondê-las.”

É importante destacar que sobre a motocicleta mesmo, as reclamações são poucas e, além da vibração, da pouca potência disponível e do farol fraco, havia ainda referências aos freios fracos e à qualidade do chicote elétrico. Boa parte delas dizem respeito à rede de concessionárias reduzida ou ao fraco nível de atendimento técnico por essa mesma rede. Assim, Motonline concentrou o foco desta avaliação nos itens técnicos mencionados por seus proprietários e constatou que os consumidores têm razão tanto aos pontos positivos quanto aos negativos. Ou seja, com poucas diferenças, a Suzuki Intruder 125 2012 é praticamente a mesma moto.

Motor

Mecânica simples e robusta; detalhe do sistema Pair no alto à direita

Mecânica simples e robusta; detalhe do sistema Pair no alto à direita

Lançada em 2002, a Intruder 125 ganhou mais potência e torque em 2007, pela adoção de um carburador de funcionamento mecânico e com giclê maior, o que resultou em 1 cv a mais de potência (12,5 cv a 8.500 rpm) e o torque aumentado para para 1,19 kgm a 8.000 rpm. A versão 2012 tem carburador Mikuni BS25 a vácuo com TPS (Sensor de Posição do acelerador), CDI (Módulo de Controle de Ignição Digital) e sensor de posição de marchas, retornando a potência para 11 cv e o torque para 0,98 kgfm.

Explica-se assim uma certa “lentidão” nas arrancadas e retomadas e, provavelmente, a fábrica explicaria esse retorno para poder aprovar a moto nos testes de emissões e de ruído do Promot3. Sobre emissões, esse motor está equipado com o sistema  PAIR (Pulsed-secondary Air injection), uma válvula que injeta ar na saída do cano do escapamento. Na prática, esse sistema simplesmente joga mais oxigênio para completar a queima dos gases expelidos e diminui a quantidade de hidrocarbonetos expelidos. O motor da Suzuki Intruder 125 é um monocilíndro, duas válvulas, comando simples no cabeçote (OHC) e refrigerado a ar. O cavalo a menos de potência na versão 2012 faz boa diferença.

Pára-lama de aço: "semelhança" com a Harley-Davidson?

Pára-lama de aço: "semelhança" com a Harley-Davidson?

A vibração excessiva é real e muito sensível, sobretudo nas pedaleiras. Apesar da vibração ser característica dos motores de um cilindro, numa moto de mecânica tão simples como essa a fábrica já poderia ter pensado em uma solução também simples, como o eixo balanceiro ou uma dose mais generosa de calços de borracha. Assim, cabe a advertência aos desavisados para pedir uma aperto geral nos parafusos de toda a moto para evitar sair pelas ruas perdendo pedaços. Essas constatações negativas devem ser bem menores com o tempo, já que a moto avaliada estava com menos de 1000 km e, portanto, ainda em fase de amaciamento.

Entretanto, o lado positivo da motinho compensa com força os pontos negativos. Longe de ser condenada, ao contrário, a Intruder 125 é gostosa de pilotar e não admite nervosismo no trânsito. Por característica, ela é uma moto de respostas lentas, tanto do motor quanto do conjunto ciclístico. Vá com calma e ela responde tranquilamente, no seu tempo. Na prática essa calmaria toda se traduz em muita economia que, projetada para uma fase pós-amaciamento, deve melhorar ainda mais, chegando próximo de 40 km/l. No período de avaliação, a Intruder fez média de 36,7 km/l.

Detalhe do guia para engate das marchas estampado na tampa do pinhão

Detalhe do guia para engate das marchas estampado na tampa do pinhão

O câmbio de 5 marchas é preciso e macio, mesmo na fase de amaciamento. Não espere velocidades muito superiores a 90 km/h (reais), apesar de o velocímetro chegar até a marca de 110 km/h no limite da rotação do motor. Talvez já coubesse uma injeção eletrônica, mas isso não garante melhora no desempenho da moto em questão relativa à potência e velocidade final. No fim das contas, é preciso lembrar que ela é uma custom de 125 cc, cuja proposta certamente não é arrancadas rápidas e grandes velocidades.

Ciclística

O chassi da Intruder é tubular e tem o motor como parte da sua estrutura. Como uma característica quase natural nas custom, ela mostra uma frente bastante leve, fruto do deslocamento do peso mais para a parte traseira. A suspensão dianteira é um garfo telescópico tradicional com bom curso e capacidade de absorção de irregularidades. Na traseira há uma balança oscilante com dois amortecedores com regulagem na pré-carga da mola. O conjunto é suficiente e a prova disso isso são as costas do piloto que não sentem tanto as pancadas da roda traseira nos buracos.

Painel fiel ao estilo "old fashion"; completo e funcional

Painel fiel ao estilo "old fashion"; completo e funcional

As duas rodas são de liga-leve e os freios também são eficientes para a classe e o tamanho da moto. Na dianteira é a disco com pistão simples e na traseira com tambor. As rodas de liga leve contribuem para a estética descolada e o peso de 113 kg facilita as manobras. A posição de pilotagem ereta é favorecida pelas pedaleiras menos adiantadas quanto seria de se esperar e o guidão estilo “pull back” é mais alto e mais para trás, ajudando ao deslocamento do peso para a traseira. O largo banco para piloto e garupa é mais  um dos pontos fortes dessa 125. Este conjunto se destaca pela simplicidade e pela segurança que transmite ao piloto em qualquer condição de pilotagem, inclusive em ruas esburacadas.

Apesar de ter uma ciclística condizente com uma custom, as características de dirigibilidade são mais rápidas do que seria de se esperar, devido ao baixo peso do conjunto. As suspensões são bem ajustadas a essas características e a regulagem de pré-carga das molas nos amortecedores traseiros, embora seja trabalhosa,  ajuda muito a manter essas características, se reguladas para pesos muito diferentes de 80 a 90 Kg de carga.

Equipamentos

É interessante notar que nas ruas, a Intruder, apesar de pequena, chama muito a atenção. Para quem gosta do desenho clássico, tipo “old fashion”, essa custom com diversas peças cromadas, como pára-lamas, piscas, retrovisores, escapamento e um enorme bagageiro são itens que a diferenciam das outras 125. Outro grande destaque desta moto é o excelente painel, com dois grandes mostradores redondos com velocímetro e conta-giros, com o marcador de marcha engatada e o marcador de combustível encaixados no meio e as luzes-espia, que trazem todas as informações necessárias e com clareza.

Urbana e bem comportada, a Intruder se destaca na paisagem

Urbana e bem comportada, a Intruder se destaca na paisagem

Além de vir bem equipada de fábrica, como foi mencionado por um dos consumidores, o mercado oferece uma infinidade de acessórios e outros equipamentos para que o consumidor equipe sua moto ao seu gosto. Pára-brisa, alforges laterais, pedaleiras avançadas, sissy-bar (apoio para as costas do garupa), entre outros estão aí e com preços para todos os gostos. Essa possibilidade de deixar a moto com a sua cara é um grande atrativo. Por fim, outro item citado pelos consumidores foi a trava do guidão na coluna, o que na versão 2012 está incorporada à chave.

Mercado

Suzuki cresce e concorrentes caem: bom aumento de vendas em 2012

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Apesar de o mercado brasileiro estar difícil para vender motos, sobretudo as pequenas, a Suzuki tem um bom produto na classe e pelo volume registrado mais recentemente, parece que a Intruder 125 está sozinha. Suas concorrentes diretas – Dafra Kansas 150 e Kasinski Mirage 150 – perdem espaço no segmento desde 2010 apesar de terem o motor um pouquinho maior. Claro que todas as outras 125 e até as 150 do mercado representam concorrência à pequena custom da Suzuki. Mas para quem busca uma moto diferenciada, com mecânica simples, robusta e econômica, encontra na Suzuki Intruder 125 uma boa opção.

Porta-ferramentas e mais um espaço útil para levar pequenos objetos sob a lateral direita

Porta-ferramentas e mais um espaço útil para levar pequenos objetos sob a lateral direita

Ninguém fala isso com alegria, mas vale o alerta para o fabricante (ou representante da marca no Brasil) que hoje pesa muito para os consumidores da marca um certo “sucateamento” da rede de concessionárias, com lojas fechando ou mudando de bandeira. Alem disso, há uma reclamação recorrente de mão-de-obra ruim, falta de peças e preços altos nas lojas da marca. No caso da Intruder 125, trata-se de uma moto simples, que aceita várias peças de outras motos e que são encontradas com facilidade e a preços mais atraentes no mercado paralelo. Mas aos consumidores de motos maiores da marca, isso pode representar a infidelidade definitiva.

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Ficha técnica Suzuki Intruder 125

Ficha técnica Suzuki Intruder 125

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