| texto:
Geraldo Tite Simões
Fotos:
Divulgação e Geraldo Tite Simões
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E não é que apareceu uma
Yamaha XT 660R para testarmos? É bom esclarecer que a Yamaha
do Brasil não se negou a entregar-nos uma unidade, só
não queríamos esperar tanto tempo, já que a marca
dispunha de poucas unidades para teste. Assim, quando o leitor Sérgio
Campos Jr, de Campinas, SP, escreveu oferecendo a moto dele, fui voando
de Honda Hornet para uma viagem-teste muito agradável e produtiva.
Eu já conhecia a moto porque, como todo mundo sabe, inclusive
os assessores de imprensa das fábricas, sou amigo de vários
testadores de motos de revistas. Vi a moto detalhadamente e a primeira
coisa que me chamou a atenção foi a vulnerabilidade
do motor, escapamentos e sistema de arrefecimento, que ficam muito
expostos. Segundo soube depois, existe um protetor de motor oferecido
opcionalmente. Ótimo, pois se um dia eu tiver uma XT 660R
a primeira providência será instalar o protetor. Só
de imaginar as curvas de escapamento batendo em uma pedra já
me deu calafrios.
A moto que avaliei era preta, tinha pouco mais de 1.000 km rodados
e já havia passado pela primeira revisão. Mesmo assim
continuava sem um dos adesivos. Isso é uma atitude que não
consigo engolir: a concessionária entregou a moto faltando
um adesivo! E não repôs na primeira revisão.
Pênalti contra o pós-venda!
Um dos destaques desta Yamaha é a alta tecnologia. Esqueça
a XT 600E, porque não foi aproveitado nem um parafuso sequer.
O motor de exatos 659 cm3 tem comando simples no cabeçote,
com 4 válvulas, muito compacto e potência declarada
de 48 cv a 6.000 rpm. O toque máximo é impressionante,
com 5,95 kgf.m a 5.250 rpm. Quando li a ficha técnica imaginei
um motor problemático, pois a faixa útil (entre torque
e potência) é de apenas 750 rpm. Que nada! Isso é
coisa do passado. O uso de injeção eletrônica
acabou com os “buracos” que havia nos motores carburados.
Pode-se deixar o giro cair e acelerar a vontade porque o motor responde
sem engasgos. Redondo, forte, ágil nas retomadas e áspero
na subida de giro.
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Motor |
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Vista
lateral |
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A primeira sensação ao acionar o motor da XT 660R
é que se trata de um motor agressivo. O funcionamento áspero
lembra os motores das européias de enduro, tipo Husqvarna
e KTM. Acho que a segunda providência na “minha”
hipotética XT 660R seria um escape 2-em-1, com apenas uma
saída. Nada contra o escape duplo original, aliás
muito bonito e ecologicamente correto, pois conta com catalisador,
mas senti falta de um componente mais esportivo. A Yamaha optou
pela saída dupla, acompanhando uma tendência mundial.
Além disso, seria difícil criar um escape catalisado
com apenas uma saída, pois teria um diâmetro absurdo.
O conjunto “pede” apelo esportivo. O maior pecado foi
a falta da balança de alumínio. Não entendo
porque usar aço, enquanto o mundo inteiro adota alumínio
neste tipo de moto. Para compensar, as bengalas de 43 mm da suspensão
dianteira da marca espanhola Paioli têm protetores de plástico
que eliminaram as feias, antiquadas e difíceis de limpar
sanfonas de borracha. Nem motocross usa mais sanfona de borracha
nas bengalas. O curso da suspensão dianteira é de
225 mm.
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Freios
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Painel |
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O sistema de freio dianteiro é globalizado: pinças
e pastilhas da italiana Brembo, mas discos da japonesa Nissin. Na
frente o disco é flutuante de 298 mm de diâmetro e
as pastilhas são assimétricas: 30 e 32 mm. Na traseira
o disco rígido é mordido por pinça de pastilha
simples. Durante a avaliação percebi que o freio traseiro
é excepcional no asfalto e muito fácil de controlar.
Em várias situações tentei simular uma travagem,
mas o freio reagiu de forma segura. porém o freio dianteiro
carrega um problema genético das Yamaha made in Brazil: o
acionamento borrachudo. O problema está na especificação
da mangueira utilizada no sistema hidráulico. A terceira
modificação que faria na minha hipotética XT
660R seria a troca desta mangueira por uma malha de aço,
conhecida como aeroquip. Na terra os freios são bem equilibrados.
É preciso atenção ao freio traseiro pois ele
é muito sensível.
Quando assumi o guidão já fiquei feliz ao perceber
que o banco é largo, contrariando a tendência geral
das motos on-off road que têm bancos cada vez mais finos.
Minha Suzuki DR 650 martiriza traseiros mais delicados em viagens
longas. Por isso uso uma almofada de gel, mesmo sujeito às
palhaçadas dos amigos. A altura do banco ao solo de 865 mm
representa alguma dificuldade para nanicos como eu. Já o
dono da moto, Sérgio Campos Jr, com 1,89m fica à vontade.
Não senti a XT 660R “pesada” para manobrar,
apesar dos 165 kg (seco). O grande responsável pela manutenção
de um peso baixo foi o motor bastante inteligente e compacto. O
deslocamento do motor para a frente e o cilindro levemente inclinado
transferiram boa parte do peso à dianteira. O resultado foi
bom e ruim, depende de qual terreno estiver rodando. Se estiver
na estrada, o resultado desta distribuição de peso
é excelente, pois acabou de vez com qualquer balanço,
mesmo com velocímetro marcando 165 km/h (desculpe, Sérgião).
Segundo o Sérgio, ele já alcançou 190 km/h,
deitadão no tanque. Na terra, tive dificuldade para levantar
a frente para saltar algumas curvas de nível (er, desculpe
novamente). Tudo bem que não sou uma montanha de músculos,
mas com a DR 650 a frente vem no peito. Como são propostas
bem diferentes de motos, não podemos comparar. O que importa
é que a XT encarou bem a estrada de terra e arriscamos até
uma trilha, limitada pelo pneu de concepção muito
mais on do que off road.
Aliás, quero cumprimentar publicamente a Metzeler pelos
pneus Tourance. Em uma seqüência infernal de curvas entre
Serra Negra e Lindóia a XTzona até raspou o cavalete
lateral na curva! Caraca, dá para inclinar sem o menor juízo
na cabeça que a moto “aceita”. Pelo tipo de moto
é preciso abusar do contra-esterço para deitar nas
curvas. Já na terra senti alguma relutância em inclinar.
É preciso forçar a derrapagem para a XT sair redonda.
A frente pesada tende a jogar a moto para fora da trajetória,
por isso o freio traseiro e o acelerador têm se ser usados
com carinho para ajudar nas curvas de baixa velocidade. Os pneus
se comportam muito bem na terra seca, mas em areião ou no
molhado, ai, ai, é preciso pernas fortes para ajudar. A quarta
modificação na “minha” XT 660R –
e que já virou rotina nas minhas motos – seria a troca
dos pneus de uso misto por uma versão mais off-road. Dentro
da linha Metzeler existe uma opção bem interessante
conhecida comercialmente como o MCE Karoo, barulhento, mas coprovadamente
eficiente.
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Para realização deste teste contamos com
a
ajuda do leitor Sérgio Campos Jr
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Derrapagem |
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Nosso divertido teste chegou em Socorro, perto de Bragança
Paulista, onde pude analisar o comportamento no fora-de-estrada
e o Ségião até arriscou umas derrapagens para
a sessão de fotos. Confesso que fiquei preocupado, mas o
cara tem as manhas e fazia o que bem entendia com a XTzona.
Voltando a avaliar os aspectos estéticos da 660, pude notar
a ótima combinação da pintura fosca no tanque
com peças brilhantes de plástico. Nas laterais o acabamento
fosco completa o show visual de bom gosto. Não há
qualquer tipo de proteção sobre o pára-lama
traseiro, mas também há opção de bagageiro
da própria linha Yamaha. Não sei se já está
à venda na rede, porque vi estes acessórios no site
da Yamaha da Alemanha, assim como algumas das belas fotos que ilustram
esta matéria, que até parecem feitas no Brasil. Outro
acessório interessante é uma bolha (pára-brisa)
maior que deve melhorar muito o conforto em viagens. A Yamaha-Brasil
deve pensar seriamente em trazer estes acessórios, ou teremos
de esperar que fabricantes nacionais produzam estas peças
extremamente úteis.
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Protetor
de cárter, fornecido opcionalmente |
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Só achei estranho a lanterna traseira por lâmpada,
quando o mundo todo já adotou o led como padrão. Em
compensação os piscas são totalmente up to
date, com lente cristal e lâmpadas laranjas. Quando as fábricas
adotarem os leds definitivamente, tanto lanternas quanto piscas
ficarão menores, mais aerodinâmicos e mais luminosos.
Não cheguei a rodar à noite, portanto não posso
atestar se o farol ilumina bem, ou não. O painel já
suscitou polêmicas aqui no Motonline. Eu não sinto
a menor falta de conta-giros em motos de uso misto, aliás,
nem nas motos do Paris-Dakar se usa conta-giros. Basta uma shift-light
para avisar que está quase cortando a ignição
e pronto. Para ser sincero, só olho para conta-giros quando
estou correndo em uma competição de motovelocidade.
Fora das pistas nem ligo se retirarem todos os conta-giros do mundo.
Na XT 660 o painel conta com shift-light, mais um led para indicar
o funcionamento da injeção. No visor de cristal líquido
estão o velocímetro digital, hodômetros total
e parciais e até um fuel-trip, que é acionado quando
a gasolina entra na reserva, marcando quantos quilômetros
está rodando nesta condição. Todo este painel
tem iluminação inteligente que clareia ou escurece
de acordo com a luminosidade externa.
Vamos voltar para a estrada. A vibração do motor
é normal de um motor monocilindro deste porte. Diria que
vibra menos do se comparado com a XT 600E, já que o arrefecimento
líquido colabora para reduzir as vibrações.
Só quando se passa de 135 km/h começa a incomodar
os punhos e pés. Como eu gosto de viajar a cerca de 120 km/h,
não chega a me encher o saco. Felizmente o radiador é
selado, porque o acesso ao bocal é complicado pacas e tem
uma trava para impedir que alguém abra a tampa inadvertidamente.
O radiador conta com vetoinha eletrônica e não pude
avaliar o arrefecimento em trilhas porque só pegamos um trecho
muito pequeno.
Como em outras Yamaha, o cárter é seco e o quadro
funciona como depósito de óleo. Essa opção
é das mais felizes porque melhora o arrefecimento e reduz
o tamanho total do motor. Ficaria mais sossegado se os escapes não
passassem por baixo, mas pelo lado do motor, como nas Huqvarna e
KTM, mas já que a Yamaha quis dessa forma, tiveram de sumir
com o cárter do lugar “normal”. Portanto, não
vá meter um acessório aparafusado no quadro sob risco
de ver um vazamento de óleo. E também não meta
a mão por ali quando o motor estiver quente. Leia o manual
do proprietário que está tudo escrito direitinho.
Ah, sim, tem gente que se importa com consumo. Bom, rodamos em
estrada de asfalto, terra e trilha e ela fez média de 19,4
km/litro. Está bom demais! A alimentação é
feita por injeção eletrônica, com uma borboleta
de 44 mm. Como ficou comprovado, além de perfeita nas retomadas
e velocidade, também é muito econômica. Ainda
estou esperando a Yamaha do Brasil ceder uma XT 660R para uma avaliação
mais profunda, com medições de frenagens, velocidade
e otras cositas más. Por enquanto esses dados coletados com
a moto do Sérgião foi suficiente para concluir que
esta XT 660R é a moto mais avançada produzida pela
Yamaha do Brasil. Está anos-luz à frente da XT 600E,
que obviamente sumirá de linha. Por isso, antes de todo mundo
meter a boca no preço de R$ 23.838 (em São Paulo),
lembre que a XT 600E saiu de linha custando R$ 17.400, uma diferença
de 37%. Posso garantir que a versão 660 é certamente
mais de 37% melhor do que sua antecessora e isso é que importa
e não discussões estéreas como política
econômica, FMI, Banco Central, impostos absurdos, corrupção
etc. Se você achar a XT 660R cara, então a 600 também
sempre foi.
Como você já leu aqui mesmo no Motonline, existe a
versão supermotard desta XT 660R, batizada de XT 660X. Não
há previsão da Yamaha para trazer este modelo, mas
fala-se na importação do kit de transformação
formado por rodas, suspensão traseira e balança.
E também não estranhe se no começo aparecerem
malucos pedindo até R$ 27.000 nas primeiras unidades que
surgiram. É normal e isso nunca vai deixar de acontecer no
país da Lei de Gérson. E lembre que o preço
da tabela de fábrica é SUGERIDO!!! Se o comerciante
quiser praticar acima ou abaixo é uma opção
dele. O que estou achando mais curioso nesta história toda
é que muitos leitores de MOTONLINE está indeciso entre
a Yamaha XT 660R e a Honda CB 600 Hornet, apesar se serem motos
diferentes em tudo, inclusive no preço. Rodei milhares de
km com a Hornet (que será publicado em breve) e apenas 225
km com a XT 660. Para mim a decisão é das mais difíceis,
mas como todo mundo já sabe, sou adepto das motos on-off
road. Mesmo assim você só saberá minha opinião
sobre a Hornet daqui uma semana. Tenha paciência.
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| Trilha |
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FICHA
TÉCNICA
Motor
Monocilindro, 4 tempos, arrefecido a líquido, OHC,
4 válvulas
Cilindrada 659 cm3
Diâmetro x curso 100 x 84 mm
Alimentação/diâmetro de venturi
injeção eletrônica, venturi 44mm
Taxa de compressão 10:1
Potência máxima 48 cv
a 6.000 rpm
Torque máximo 5,95 kgf.m a 5.250
rpm
Câmbio 5 velocidades
Lubrificação - carter
seco
Embreagem - multidisco em banho de óleo
Transmissão via corrente
Sistema de partida elétrica
Ignição - eletrônica
digital |
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Chassi
Tipo tubular, tipo diamond, de aço
cromo-molibdênio
Suspensão dianteira telescópica
43mm diâmetro, 225 mm de curso
Suspensão traseira - monoamortecida,
200 mm de curso
freio dianteiro disco flutuante, 298
mm, com dupla pastilhas de 30 e 32 mm
freio traseiro disco 245 mm
pneu dianteiro 90/90-21
pneu traseiro 150/70.18
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Dimensões/capacidades
tanque de combustível 15 litros
comprimento X largura X altura 2.240
mm x 845mm x 865 mm
distância entre eixos 1.500 mm
altura do assento 820 mm
distância do solo 210 mm
peso seco 165 Kg |
| Cores: Azul
e preta |
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