Yamaha XTZ Crosser 150

A conclusão é inevitável. Se a Honda inventou a receita e deu certo, porque não daria certo para a Yamaha? E a chegada desta “trailzinha” – Crosser 150 – confirma que a Yamaha decidiu usar a mesma receita para recuperar terreno no mercado brasileiro. A Yamaha apostou (Motonline também) que com a Fazer 150 a marca de Iwata voltaria a crescer. O resultado surgiu quase instantaneamente, apenas 5 meses depois, para alegria geral da “Nação Yamahista”, pois o fechamento das vendas de janeiro mostra que a Yamaha saltou dos 10,6% para 12,7% de participação no mercado.

Conforto e estabilidade para as aventuras urbanas

Conforto e estabilidade para as aventuras urbanas

É claro que copiar a receita do concorrente não significa garantia de sucesso necessariamente, mas a chance de erro é bem menor já que o caminho está testado e atestado pelo mercado. Por isso a Yamaha XTZ Crosser 150 (este é o nome oficial) pode (e deve) rapidamente ganhar espaço e fazer a Yamaha crescer um pouco mais, talvez mais 2 ou 3 pontos porcentuais, levando-a a superar o patamar dos 15% de participação. “Este é nosso objetivo”, afirmou o diretor comercial da Yamaha, Márcio Hegenberg, durante a apresentação da nova moto. “Da mesma forma que ocorre com os outros modelos que apresentamos, a meta é alcançar entre 25% e 30% do que vende o modelo similar da principal concorrente”, informa Hegenberg.

Trocando em números, a Crosser 150 concorre diretamente com a Honda NXR 150 Bros, que vende em média 14.500 motos por mês. Se a Crosser 150 alcançar a meta prevista por Hegenberg e o mercado permanecer estável, a Yamaha alcançará a média mensal de 20 mil motos por mês. Diante de uma média de 130 mil motos por mês que são vendidas no mercado brasileiro, a Yamaha terá chegado aos 15% de participação de mercado, confirmando a previsão.

Pára-lama baixo porque é urbana; bico sob o farol porque é uma trail

Pára-lama baixo porque é urbana; bico sob o farol porque é uma trail

Na rápida oportunidade que tivemos para olhar e experimentar a nova Yamaha XTZ Crosser 150 na pista de um kartódromo, a moto confirma a fama da marca e se destaca pela boa ciclística e dirigibilidade, com equilíbrio e respostas rápidas a qualquer movimento do piloto. Ela tem exatamente a mesma mecânica da Fazer 150, inclusive no sistema de transmissão primária e secundária. Seria de se esperar que como uma moto trail ela tivesse a transmissão modificada, ao menos na relação coroa-pinhão. “Os testes finais da motocicleta mostraram que não houve necessidade”, explicou Hilário Kobayachi, da área de engenharia da Yamaha. De fato, ao menos neste primeiro contato, a moto se mostrou dentro do esperado para uma pequena trail desta classe.

Hegenberg e Hayakawa: metas bem claras com a nova Crosser 150

Hegenberg e Hayakawa: metas bem claras com a nova Crosser 150

Pelo discurso dos executivos e pela própria campanha prévia ao lançamento, a Yamaha posiciona a moto para o mercado como uma “urbana com estilo aventureiro”. E de fato, o estilo sempre fez muito sucesso entre os motociclistas urbanos, que preferem o maior curso de suspensões e o conforto oferecido por esse estilo para enfrentarem o péssimo pavimento da maioria das ruas das cidades brasileiras.

Ao contrário da sua irmã urbana Fazer 150, que tem duas versões com diferenças apenas de acabamento, a Crosser 150 tem duas versões - E e ED – com uma diferença técnica importante, que é o freio a tambor na roda dianteira da versão “E”, além da possibilidade de mudança na posição do guidão na versão “ED”. “Nossas pesquisas mostram que há demanda para uma moto com freios a tambor”, justifica Hegenberg, e informa que cerca de 30% das vendas deverão ser desta versão “E”. Então surge a pergunta e fica a dúvida: Será que R$300,00 de diferença no preço de uma em relação à outra versão faz assim tanta diferença? Ou de fato há motociclistas que preferem o freio a tambor?

Versão básica da nova moto da Yamaha tem freios a tambor e custa R$9.050,00

Versão básica da nova moto da Yamaha tem freios a tambor e custa R$9.050,00

Na pista do kartódromo foi possível verificar na prática que o freio a tambor, apesar de ter desempenho satisfatório, não passa disso. Numa frenagem forte no final da reta o freio a disco tem desempenho bem melhor e mais seguro. Talvez já esteja na hora dos fabricantes usarem sua força para estabelecerem padrões de segurança mínimos para o mercado brasileiro, sobretudo para as motos que transitam em grandes centros e se aventuram também por estradas em velocidades próximas dos 100 km/h.

Os engenheiros da Yamaha informam que a moto foi desenvolvida exclusivamente para o consumidor brasileiro e levou em consideração o tipo de terreno, o combustível e a altura média do motociclista. “Reunimos nessa moto a experiência e a criatividade dos engenheiros brasileiros e japoneses para oferecer a melhor experiência de pilotagem para os consumidores”, falou orgulhoso o diretor presidente da Yamaha Motor do Brasil, Shigeo Hayakawa.

O bom bagageiro e o painel completo, inclusive com indicador de marcha, demonstram cuidado com um projeto bem acabado e até requintado

O bom bagageiro e o painel completo, inclusive com indicador de marcha, demonstram cuidado com um projeto bem acabado e até requintado

A moto tem as linhas bem marcadas e inspira robustez e agressividade. Na frente, para enfatizar o caráter urbano da moto, o pára-lama é rente à roda, mas há logo abaixo do farol uma espécie de bico recortado, um detalhe que remete ao estilo tipicamente trail, pois aquele bico pode ser um pára-lama, mas na verdade ele faz parte da carenagem do farol. O tanque de 12 litros tem carenagens que reforçam o porte da moto e um detalhe que dá requinte à moto é a tampa de combustível integrada ao tanque.

A Crosser 150 é apresentada em três cores – cinza, laranja e branco, que fazem bom contraste com os grafismos. O bagageiro com alças de apoio em alumínio também reforça o desenho da moto, além de ser um item fundamental para o dia-a-dia com sua capacidade de carga de 7 kg. O banco tem dois níveis bem acentuados e oferece conforto para piloto e garupa. O painel tem conta giros analógico e um visor LCD digital com indicador de marchas, marcador de combustível, velocímetro, hodômetros parcial e total, além das tradicionais luzes espia de neutro, luz alta, pisca, alerta de injeção eletrônica e do sistema Blueflex. Seu conjunto óptico traz farol com lâmpada halógena e piscas com lentes cristal. O escapamento tem desenho grande, mas harmoniza com o restante do conjunto.

Três cores com grafismos de traços modernistas e joviais; a Crosser 150 se destaca na multidão

Três cores com grafismos de traços modernistas e joviais; a Crosser 150 se destaca na multidão

Para ajustar o guidão é preciso soltar quatro parafusos e inverter a posição do suporte do guidão

Para ajustar o guidão é preciso soltar quatro parafusos e inverter a posição do suporte do guidão

O motor da Yamaha Crosser é o mesmo que equipa a Fazer 150, com injeção eletrônica BlueFlex que desenvolve 12,2 cv (gasolina) e 12,4 cv (álcool) e 1,28 kgfm (gasolina) e 1,29 kgfm (álcool). Com a proposta urbana da nova moto, a economia de combustível é um ponto importante para a maioria dos consumidores e este motor já mostrou sua capacidade de ter bom desempenho com economia e funcionamento suave e sem vibrações.

Um destaque especial da Crosser 150 está nas suspensões, que demonstram comportamento irrepreensível, sem qualquer desequilíbrio mesmo em condições extremas. Equipada com sistema Monoshock com link na traseira e garfo telescópico na dianteira, a engenharia da Yamaha ajustou com grande precisão este conjunto que não tem regulagem. Conforto é a palavra que o conjunto de suspensões da Crosser 150 aprendeu e sabe transmitir. Colaboram para isso os excelentes pneus Metzeler Tourance que calçam as rodas raiadas aro 17” na traseira e 19” na dianteira. Porém, essa é apenas uma primeira impressão, pois a avaliação foi feita em pista asfaltada e sem buracos.

O detalhe do ajuste de guidão na versão ED é um diferencial interessante e melhora a posição de pilotagem para motociclistas de maior estatura, evitando que fiquem com as costas arqueadas. No outro extremo, o assento do piloto em desnível bem acentuado ajuda os pilotos de menor estatura, oferece apoio lombar, evita aquelas desagradáveis batidas de capacete nas reduções de velocidade e permite ainda ao garupa ter um ponto de visão acima do piloto, sem precisar colocar a cabeça de lado.

Disponível a partir de abril em todo o mercado nacional, a nova Yamaha XTZ Crosser 150 terá preços sugeridos de R$ 9.050,00 para o modelo “E” (freios a tambor) e R$9.350,00 para a “ED”, que vem equipada com ajuste de guidão e freio dianteiro a disco. Neste quesito, a Honda NXR 150 Bros mais completa (ESD) tem preço médio no mercado de R$10.080,00 (FIPE), maior que a nova Yamaha. No entanto, preço de lançamento é sempre mais agressivo em relação ao principal concorrente direto e naturalmente ocorre uma acomodação ao longo do tempo. O que vai decidir pela escolha de uma ou outra são outros quesitos como assistência técnica, peças de reposição e serviços oferecidos pela rede de concessionárias de cada marca. E isso é tudo o que o consumidor brasileiro deseja: saudável concorrência!

Ficha técnica Yamaha XTZ Crosser 150

Ficha técnica Yamaha XTZ Crosser 150

Fonte: Fotos: Stephan Solon/Yamaha

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