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Apache RTR 200 é a guerreira das ruas

Enfim colocamos a Dafra Apache RTR 200 para rodar! A moto foi sensação no Salão Duas Rodas 2017 graças ao seu design esportivo e agressivo – com direito a banco em dois níveis e spoiler no motor, e um dos modelos mais citados pelos seguidores nos últimos meses. Então, acatando os pedidos, aqui está o teste da nova Apache!

Apache RTR 200: linhas modernas, design esportivo e preço acessível: R$12.490

Apache RTR 200: linhas modernas, design esportivo e preço acessível: R$12.490

Aceleramos seus 21 cv de potência em ruas, avenidas e rodovias de São Paulo – e pegamos até alguns trechos de terra leve para ver como se saíam os freios combinados. Aliás, nota azul para desempenho e segurança. O modelo está disponível nas lojas pelo preço sugerido de R$12.490. E não custa lembrar: esqueça a Apache 150, montada pela Dafra entre 2010 e 2015, esta é uma nova moto.

Antes, a história

A Apache RTR 200 é fruto da parceria com a TVS Motor Company, terceiro maior fabricante de motos da Índia, que começou em 2009 com o lançamento da Apache RTR 150. Antes de prosseguir, um esclarecimento. A sigla RTR, presente neste e no modelo anterior da Apache, significa Racing Throttle Response – aceleração com respostas de corridas, numa tradução literal –  indicando o caráter esportivo da moto. Agora, a moto sofreu uma completa reformulação, muito além do design.

Apesar da posição de pilotagem mais esportiva, a Apache oferece conforto e agilidade para uso urbano intenso

Apesar da posição de pilotagem mais esportiva, a Apache oferece conforto e agilidade para uso urbano intenso

Ganhou novo motor monocilíndrico, com quatro válvulas, arrefecido a ar e óleo, com 197.75 cm³ e que gera 20,5 cv, a 8.500 rpm, e 1,57 kgf.m de torque, embreagem Slippery Clutch (deslizante, para evitar travamento da roda traseira em reduções de marcha), injeção eletrônica e freios FH-CBS, os tais freios combinados, aquele que aciona também o freio dianteiro ao pisar no pedal do freio traseiro.

Dafra 200 RTR, sangue Apache!

No tanque ela traz emblemas de cavalos, não como os da Ferrari, mas que talvez sejam uma homenagem aos animais de uma tribo de índios americanos. Tão dispostos quanto eles está o seu motor de 197 cm³, que acelera de forma linear, sem falhas ou trancos, e com satisfatório desempenho – suficiente para manter velocidade de cruzeiro entre 100 e 110 km/h. Falando no propulsor, ele produz um ronco incomum, grave, encorpado, fruto de um bonito escapamento que reforça a esportividade dessa guerreira. Chega a causar certa estranheza nos primeiros 30 minutos, mas logo acostumamos.

Esse novo motor gera 21 cv de potência máxima (a 8.500 rpm) e pico de torque de 1.85 kfg.m (aos 6.500 rpm), sem passar vibrações excessivas. Já o câmbio de cinco marchas e engates macios é longo, especialmente a partir da terceira. Aqui cabem duas observações importantes. A primeira é a falta do sensor de partida no descanso lateral. Ou seja, mesmo com o descanso acionado a partida pode ser dada. A segunda observação é mais uma curiosidade, já que não se encontra na Apache qualquer menção à Dafra, nem nos adesivos; só TVS, RTR 200 os cavalinhos.

Como é andar com a nova Apache

Na cidade é bastante ágil e fácil de pilotar. Sua posição de pilotagem, com as pedaleiras recuadas, ajuda nos corredores e também nas mudanças rápidas de trajeto. Porém, conforto não é sua principal qualidade, com suspensões firmes, o que se justifica para atender a proposta mais esportiva da RTR e bancos duros tanto para piloto quanto para garupa. Mas para uso intenso no cenário urbano essa posição mais “pró” chega a incomodar.

Toque "premium" na Apache: Escapamento esportivo, paralama ausiliar, iluminação em LED e painel digital completíssimo

Toque “premium” na Apache: escapamento esportivo, paralama auxiliar, iluminação em LED e painel digital completíssimo

Já na estrada seu motor se sai muito bem, aliás, além do esperado. Responde bem quando exigida em ultrapassagens e freia com total segurança nas situações onde foi exigido, principalmente quando tomamos aquele susto de motoristas incautos que insistem em não sinalizar ao mudar de faixa. As retomadas de velocidade também acontecem sem delays – dentro das possibilidades de uma moto de 200 cilindradas, claro. Até a presença da garupa não atrapalhou e ela seguiu firme e estável no seu comportamento. Quanto ao consumo, rodamos 586 km com 16,2 litros de gasolina comum, média de 36 km/litro, com a pior marca no uso urbano, quando ela fez 31 km/litro de gasolina, enquanto que a melhor marca ficou para a estrada com 38 km/litro.

Entrada USB sob o banco do piloto, que abre puxando a alça sob o banco do garupa; cavalinhos e adesivos especiais da TVS, e nada de Dafra na moto

Entrada USB sob o banco do piloto, que abre puxando a alça sob o banco do garupa; cavalinhos e adesivos especiais da TVS, e nada de Dafra na moto

Painel, freio e outros pontos positivos

O painel é completo e totalmente digital, o que soma muitos pontos ao modelo. O instrumento da nova Dafra Apache RTR 200 possui hodômetro total e dois parciais, indicador de marchas, relógio, marcador de combustível, melhor volta ou volta mais rápida, além de deixar registrado o top speed atingido. Ainda, há um shift light que acende a 7.000 rpm indicando o momento de trocar a marcha.

Outro item que merece destaque são os freios. O sistema FH-CBS direciona parte da frenagem à roda dianteira quando pisamos apenas no pedal do freio traseiro (como qualquer arquitetura combinada) e, na prática, age de forma muito eficiente. Mesmo sobre o cascalho e terra leves ele passa segurança. Aqui, a moto conta com disco de 270 mm na frente e 240 mm atrás.

Há outros detalhes sutis que contribuem para que a Apache 200 seja uma boa moto para quem quer uma companheira diária. Na lista, o funcional cavalete central e as luzes de posição e lanterna em LED, por exemplo. Do outro lado, falta um bagageiro para amarrar coisas (uma mochila, por exemplo) e mais espaço para instalar uma necessária antena corta pipa no guidão.

Conclusão

A Dafra Apache RTR 200 atende muito bem a proposta de ser uma moto urbana com leve pegada esportiva. Tanto o visual pontiagudo e minimalista, quanto o motor – com seu ronco que chama a atenção no trânsito – reforçam isso. Se sai bem nos corredores e, mesmo com garupa, consegue um despenho satisfatório em pequenas viagens. Além disso, o preço na casa dos R$12 mil coloca uma dúvida na cabeça de quem pensa adquirir uma moto japonesa de 150 ou 160 cilindradas. Mas gerar essa dúvida de fato e colocar a pequena Apache RTR 200 e suas muitas virtudes como opção viável a uma fatia maior de consumidores, a Dafra precisa ser mais agressiva.

Ficha Técnica Dafra Apache RTR 200

Motor Um cilindro, 4 tempos, SOHC, com balanceiros, arrefecido a ar
Embragem Deslizante, multidisco em banho de óleo
Alimentação Injeção eletrônica
Capacidade cúbica 197,75 cm³
Potência máxima 21,02 cv @ 8.500 rpm
Torque máximo 1,85 kgf.m @ 6.500 rpm
Sistema de Partida Elétrica
Transmissão 5 marchas
Combustível Gasolina
Altura 1.105 mm
Largura 790 mm
Comprimento 2.050 mm
Distância entre eixos 1.353 mm
Altura mínima do solo 180 mm
Altura do banco 800 mm
Chassi Berço duplo dividido
Suspensão dianteira Telescópica, curso de 117 mm
Suspensão traseira Braço oscilante, monoamortecida, curso de 105 mm
Rodas Aro de liga leve de aço, 17”
Pneu dianteiro 90/90-17 sem câmara
Pneu traseiro 130/70-17 sem câmara
Freio dianteiro Disco 270mm
Freio traseiro Disco 240mm
Sistema de freio FH-CBS
Peso seco 139 kg
Tanque 12 litros
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Patriarca

Enfermeiro socorrista por profissão, mecânico por esporte e motociclista por paixão, Patriarca é moderador do Fórum e também pauteiro (não confundir com "paupiteiro") da redação do Motonline.